Criança com tosse e dispneia foi atendida no Serviço de Emergência sendo realizada uma radiografia do tórax que demonstrou sinais de hiperinsuflação pulmonar, espessamento peribrônquico bilateral e simétrico, sem áreas de consolidações ou derrame pleural. Assinale a opção que indica a principal hipótese diagnóstica.
- A)Tuberculose.
Errada, porque tuberculose costuma ter outros achados, como cavitações, adenomegalia hilar ou infiltrados focais, e não esse padrão difuso de hiperinsuflação peribrônquica.
- B)Displasia broncopulmonar.
Errada, pois a displasia broncopulmonar é uma doença crônica de prematuros, com contexto clínico bem diferente e alterações pulmonares persistentes.
- C)Hipoplasia pulmonar
Errada, porque hipoplasia pulmonar significa pulmão subdesenvolvido, geralmente com redução de volume, e não hiperinsuflação.
- D)Infecção viral.
Certa, pois infecção viral em criança frequentemente causa hiperinsuflação e espessamento peribrônquico bilateral, sem consolidação ou derrame pleural.
- E)Sequestro pulmonar.
Errada, já que sequestro pulmonar é uma malformação congênita focal, normalmente com imagem localizada, não com padrão bilateral simétrico.
Gabarito: D
Quando a radiografia de tórax de uma criança mostra hiperinsuflação pulmonar e espessamento peribrônquico bilateral e simétrico, sem consolidação e sem derrame, o raciocínio mais forte vai para um quadro infeccioso viral de vias aéreas, especialmente bronquiolite. A ideia central aqui é que o vírus inflama os brônquios e bronquíolos, deixando as paredes mais espessas e o ar preso nos pulmões, como se o tórax ficasse “cheio demais”. Esse padrão é bem diferente de pneumonias bacterianas típicas, que costumam formar consolidação, e também não combina com lesões estruturais congênitas ou doenças crônicas pulmonares específicas. Em radiologia pediátrica, o conjunto “hiperinsuflação + espessamento peribrônquico + ausência de consolidação” é quase um cartão de visita de infecção viral das pequenas vias aéreas. Por isso o gabarito é a letra D. A criança com tosse e dispneia, somada à imagem sem foco consolidativo e sem derrame, aponta para um processo inflamatório viral, que é a hipótese principal na prática e nas provas. A FGV costuma cobrar justamente esse reconhecimento do padrão radiográfico, em vez de exigir um diagnóstico histológico ou laboratorial sofisticado. Em resumo: pulmão mais “inflado”, brônquios mais espessados e sem sinais de pneumonia lobar? Pense em infecção viral, principalmente bronquiolite. É o tipo de questão em que a radiografia conta a história antes mesmo do laudo terminar.