Mulher com 30 anos, com relato de atraso menstrual há mais de 1 mês, com dor abdominal intensa que surgiu há 12 horas e piorou na última hora, com sinais de irritação peritoneal. Foi submetida à ultrassonografia transvaginal que demonstrou imagem complexa anexial direita, com anel ecogênico, em topografia parauterina à direita, com útero em retroversão, de volume pouco aumentado com eco endometrial fino e com pequena quantidade de líquido em fundo de saco posterior. Assinale a opção que indica o provável diagnóstico.
- A)Cistoadenocarcinoma de ovário torcido.
Errada: cistoadenocarcinoma torcido pode causar dor, mas o contexto de atraso menstrual e o achado de anel ecogênico parauterino favorecem gestação ectópica, não neoplasia ovariana.
- B)Gravidez ectópica.
Certa: atraso menstrual, dor abdominal aguda, massa anexial com anel ecogênico e líquido livre são achados típicos de gravidez ectópica, provavelmente tubária e possivelmente complicada.
- C)Salpingite.
Errada: salpingite pode dar dor e líquido pélvico, mas não explica atraso menstrual com massa anexial em anel ecogênico no contexto de suspeita gestacional.
- D)Mola hidatiforme.
Errada: mola hidatiforme costuma cursar com útero aumentado e alterações gestacionais intrauterinas, não com massa anexial parauterina e endométrio fino.
- E)Mioma subseroso.
Errada: mioma subseroso é massa uterina sólida, não costuma associar atraso menstrual suspeito de gestação nem imagem anexial com anel ecogênico.
Gabarito: B
O quadro descreve uma emergência ginecológica clássica: mulher em idade fértil, atraso menstrual, dor abdominal intensa e sinais de irritação peritoneal. Quando a ultrassonografia transvaginal mostra uma imagem anexial complexa com anel ecogênico na topografia da tuba e pequena quantidade de líquido livre, o pensamento vai direto para gestação fora do útero, principalmente tubária. Aqui o útero com endométrio fino e a massa parauterina direita reforçam que não há saco gestacional intrauterino visível, o que combina com gravidez ectópica. Isso é exatamente o tipo de caso em que a imagem vale mais do que um discurso de quatro páginas: o cenário clínico e o achado ultrassonográfico caminham juntos. Na prática, a gravidez ectópica costuma aparecer na USG como massa anexial, anel tubário ou saco gestacional extrauterino, às vezes com líquido livre por sangramento. A dor intensa e o peritônio irritado sugerem complicação, como ruptura. O eco endometrial fino também ajuda a afastar uma gestação intrauterina evolutiva. Em concurso, quando a banca junta atraso menstrual + dor aguda + massa anexial + líquido em fundo de saco, o raciocínio costuma ser bem direto. Por isso o gabarito é a letra B. Não há sinais que apontem melhor para tumor ovariano, infecção pélvica, mola ou mioma. O achado central é a lesão anexial com anel ecogênico em contexto de gravidez inicial, que é praticamente o cartão de visita da gravidez ectópica tubária.