Menino com 13 anos, com dor persistente na bolsa escrotal à direita há vários dias, com febre e disúria e aumento de volume local. Foi solicitada uma ultrassonografia da região que evidenciou moderada quantidade de líquido contendo septações e debris, com aumento volumétrico do epidídimo e do testículo direito com hipoecogenicidade difusa. Assinale a opção que indica o provável diagnóstico.
- A)Seminoma infectado.
Errada, porque seminoma infectado não é a hipótese que melhor explica febre, disúria e sinais ultrassonográficos inflamatórios difusos no epidídimo e testículo.
- B)Torção testicular.
Errada, porque a torção testicular costuma ser súbita e com sofrimento vascular, não com quadro infeccioso e líquido com debris/septações.
- C)Orquiepididimite.
Certa, porque a combinação de dor escrotal, febre, disúria, aumento do epidídimo e do testículo e hidrocele com debris é típica de orquiepididimite.
- D)Infarto testicular.
Errada, porque infarto testicular é um evento isquêmico e vascular, geralmente sem o perfil infeccioso e inflamatório descrito no caso.
- E)Abscesso com varicocele.
Errada, porque abscesso e varicocele não formam, juntos, o padrão clínico e ultrassonográfico esperado para esse quadro.
Gabarito: C
Dor escrotal em menino, com febre, disúria e aumento de volume local, já acende a luz amarela para processo inflamatório/infeccioso. Quando a ultrassonografia mostra líquido com septações e debris, somado a aumento do epidídimo e do testículo com hipoecogenicidade difusa, o quadro aponta para orquiepididimite, isto é, inflamação do epidídimo e do testículo, muitas vezes associada a infecção urinária ou ascendente. Na prática, a USG ajuda a separar inflamação de emergências cirúrgicas. Na orquiepididimite, costuma haver aumento de volume, heterogeneidade, edema e possível hidrocele reacional, que pode ter septações e conteúdo espesso. O paciente também costuma ter febre, dor progressiva e sintomas urinários, exatamente como no enunciado. Já a torção testicular costuma ser mais súbita e dramática, com redução ou ausência de fluxo ao Doppler, e não combina tão bem com febre e disúria. Infarto testicular também é diagnóstico vascular, com sofrimento isquêmico focal ou difuso, mas não explica tão bem o conjunto infeccioso descrito. Abscesso e varicocele não fecham o pacote clínico e ultrassonográfico da questão. Por isso, o gabarito é a letra C. Em imagem, o raciocínio é muito de conjunto: clínica infecciosa + epidídimo/testículo aumentados + líquido com debris/septações = orquiepididimite, que é a resposta clássica dessas questões.