Na ultrassonografia de mama, ao avaliar lesões hipoecoicas, qual característica é mais frequentemente considerada como fator de malignidade?
- A)Presença de microcalcificações agrupadas.
Microcalcificações agrupadas são um achado mais clássico da mamografia do que da ultrassonografia, e isoladamente não são o principal critério de malignidade no exame perguntado.
- B)Espículas e irregularidades visíveis bordas da lesão.
Espículas e bordas irregulares sugerem crescimento infiltrativo, sendo um dos sinais mais fortes de suspeita de malignidade na ultrassonografia mamária.
- C)Manutenção da forma e contorno ao longo do tempo.
Manutenção da forma e do contorno ao longo do tempo aponta mais para estabilidade e comportamento benigno do que para malignidade.
- D)Aumento significativo da vascularização ao Doppler colorido.
Aumento da vascularização ao Doppler pode ocorrer em lesões malignas, mas tem menor especificidade do que a avaliação das margens e da forma da lesão.
Gabarito: B
Na ultrassonografia de mama, uma lesão hipoecoica chama atenção, mas o que realmente acende a luz de alerta é o seu aspecto morfológico. Em imagem mamária, a forma e principalmente a margem da lesão valem muito mais do que “o brilho” ou a simples presença de sangue no Doppler. Lesões benignas costumam ter contornos lisos, bem definidos e um comportamento mais estável ao longo do tempo. Quando a lesão mostra espículas, bordas irregulares ou aspecto mal delimitado, isso sugere crescimento infiltrativo, que é um padrão mais compatível com malignidade. Por isso, entre os achados ultrassonográficos, as margens espiculadas e irregulares são um dos sinais mais clássicos de suspeita. É aquele tipo de detalhe que muda a conversa de “acompanhar” para “investigar melhor”. As microcalcificações são muito importantes na mamografia, especialmente quando agrupadas, mas na ultrassonografia elas não são o principal marcador isolado de malignidade. Já o aumento da vascularização ao Doppler pode ocorrer em tumores, porém não é tão específico quanto a irregularidade das bordas. Em outras palavras: o Doppler ajuda, mas a forma da lesão ainda manda no jogo. Assim, o gabarito é a letra B porque espículas e irregularidades nas bordas são achados fortemente associados a malignidade na ultrassonografia de mama. Esse raciocínio é coerente com os critérios de avaliação morfológica usados na prática radiológica e em sistemas como o BI-RADS, que valorizam muito a margem da lesão.