As drogas de interesse forense são divididas em grupos de substâncias com base em publicações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). No Brasil, um produto que contém como princípios ativos os canabinoides e canabidiol é registrado como medicamento. Eles podem ser identificados e quantificados utilizando cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) ou por cromatografia em fase gasosa (CG). Em relação a essas técnicas analíticas, assinale a afirmativa correta.
- A)A CLAE usa o gás de arraste como sua fase móvel, armazenados em cilindros de alta pressão, que não podem interagir com a fase estacionária e nem com a amostra, além de possuir alta pureza.
Errada: descreve a CG, e não a CLAE, porque fala em gás de arraste como fase móvel.
- B)A CG é uma técnica utilizada na separação dos vários componentes de uma mistura de substâncias, com o objetivo de identificar esses componentes, quantificá-los ou purificálos; é usada em análises de compostos não voláteis ou instáveis termicamente, onde a CG não pode ser utilizada.
Errada: a CG não é indicada para compostos não voláteis ou termicamente instáveis, justamente porque esses analitos se degradam no aquecimento.
- C)A CG é uma técnica de separação com diversas vantagens que envolve pequenos volumes de injeção, requer que a amostra seja solúvel na fase móvel e a fase estacionária pode ser utilizada inúmeras vezes.
Errada: embora a CG use pequenos volumes de injeção e a fase estacionária possa ser reutilizada, a amostra não precisa ser solúvel na fase móvel, e a frase ficou conceitualmente imprecisa.
- D)O forno é um componente na CG e deve ter baixa taxa de aquecimento, baixa taxa de resfriamento, baixa estabilidade térmica, ampla faixa de temperatura, sistema de segurança e operar em temperaturas que dependam do injetor e do detector.
Errada: o forno da CG deve ter boa estabilidade e controle de temperatura, não baixa estabilidade térmica nem, em geral, baixa taxa de aquecimento.
- E)A CG acoplada à espectrometria de massas é usada para realizar a separação dos compostos semivoláteis e voláteis da amostra com base em suas interações com a coluna cromatográfica e o gás de arraste, enquanto o espectrômetro de massas identifica e quantifica os compostos com base na sua relação massa/carga.
Certa: a CG separa compostos voláteis ou semivoláteis na coluna e o espectrômetro de massas faz a identificação e quantificação pela relação massa/carga.
Gabarito: E
Na cromatografia, a ideia central é simples: os componentes da mistura interagem de forma diferente com a fase estacionária e com a fase móvel, e isso faz cada substância “andar” em velocidade própria. Na prática forense, isso é muito útil para identificar e quantificar drogas e metabólitos em amostras biológicas, porque o método consegue separar compostos parecidos sem precisar de milagre, só de boa técnica. Na cromatografia gasosa (CG), a fase móvel é um gás de arraste inerte, como hélio, nitrogênio ou hidrogênio, e a amostra precisa ser volátil ou, pelo menos, termicamente estável para não se decompor dentro do equipamento. Já na cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE), a fase móvel é um líquido pressurizado, então a descrição de gás de arraste pertence à CG, não à CLAE. A alternativa correta é a letra E porque a CG acoplada à espectrometria de massas (CG-MS) separa os compostos semivoláteis e voláteis na coluna, enquanto o espectrômetro de massas entra depois para identificar e quantificar com base na relação massa/carga (m/z). É a dupla “separa primeiro, confirma depois”, muito usada em química forense por ser sensível e bem confiável. Não há um fundamento legal específico para a técnica em si no enunciado; o ponto relevante é técnico-analítico. Em prova, o raciocínio é sempre esse: veja quem é a fase móvel, quem precisa ser volátil e quem faz a identificação final. Se trocar esses papéis, a banca adora a confusão.