“Um dos maiores defensores da inclusão de história das ciências e epistemologia no ensino de ciências é Michael Mattews, que advoga a importância tanto do ensino sobre as ciências quanto do ensino de ciências. Na sua perspectiva, ensinar sobre ciências inclui, além dos resultados científicos, a discussão de toda uma dinâmica da atividade científica: descoberta, justificação, divulgação e aceitação do conhecimento científico.” O texto defende a inclusão de história de ciências no currículo em ação. As opções a seguir apresentam vantagens para o uso da história das ciências, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Articulação de eventos históricos e contextualização das descobertas científicas.
Correta, porque a história das ciências ajuda a contextualizar descobertas e a articular eventos históricos com o conteúdo estudado.
- B)Aumento da motivação, trabalhando-se o conteúdo de modo mais criativo e integrado.
Correta, pois o uso histórico costuma tornar as aulas mais envolventes, criativas e integradas ao conteúdo.
- C)Percepção do caráter dinâmico do conhecimento científico: ciência como um processo e não como um produto.
Correta, já que evidencia a ciência como processo em construção, e não como produto pronto.
- D)Percepção da atividade científica na sociedade e o estabelecimento de relações com outros elementos culturais.
Correta, porque mostra a ciência inserida na sociedade e relacionada a aspectos culturais e sociais.
- E)Percepção de que o conhecimento científico foi consolidado no passado, não cabendo novas discussões.
Errada, porque a história das ciências não congela o conhecimento no passado; ela mostra que a ciência é dinâmica e aberta a novas discussões.
Gabarito: E
A história das ciências no ensino de Química serve para mostrar que a ciência não nasceu pronta, como se tivesse caído do céu já com carimbo de verdade. Ela ajuda você a entender como as ideias científicas foram construídas, discutidas, testadas, rejeitadas e, às vezes, até reformuladas ao longo do tempo. Isso combina com a perspectiva de Michael Matthews, que defende não só o ensino de ciências, mas também o ensino sobre as ciências. Em outras palavras, não basta saber o resultado: é importante conhecer o caminho que levou até ele. Na prática, usar história da ciência pode contextualizar descobertas, aumentar a motivação, dar mais sentido ao conteúdo e mostrar que a ciência dialoga com a sociedade, a cultura e outros campos do conhecimento. Em Química, isso aparece muito bem quando você relaciona modelos atômicos, tabela periódica, leis ponderais ou o desenvolvimento da teoria do flogisto e da combustão com o contexto histórico em que surgiram. O erro da alternativa E é justamente dizer o contrário do que a história das ciências pretende. Ela não serve para fechar a discussão como se o conhecimento científico estivesse congelado no passado. A ciência é dinâmica: mesmo teorias consolidadas podem ser refinadas, ampliadas ou reinterpretadas com novas evidências. Por isso, a alternativa E contraria a própria ideia central do texto e da abordagem defendida por Matthews. Em vez de tratar a ciência como algo acabado, a história das ciências mostra que o conhecimento científico é construído coletivamente e está sempre sujeito a revisão.