“Mas, o que a escola, o livro didático e o professor têm feito? Trabalhado descontextualizadamente somente os níveis representacional e teórico e, principalmente, o nível representacional, incluindo aí os aspectos matemáticos desse nível.” MACHADO, A.H. Aula de Química: discurso e conhecimento. Ed. UNIJUÍ, Ijuí, 3ª ed., 2014 Neste texto, Machado critica o uso dos níveis de conhecimento que podem ser usados no ensino de Química. Para atingir um balanço mais adequado entre os níveis, o professor poderia adotar em sua sala de aula
- A)aulas de exercícios de fixação de conteúdo.
Errada, porque exercícios de fixação reforçam principalmente o nível representacional e a repetição mecânica, sem necessariamente ampliar a compreensão do fenômeno.
- B)exposição de videoaulas para introdução de novas teorias.
Errada, porque videoaulas podem até introduzir teoria, mas continuam centradas na exposição e não garantem a articulação com a observação e a investigação.
- C)aulas experimentais em laboratório.
Certa, porque a aula experimental em laboratório conecta observação, modelos e explicações, equilibrando melhor os níveis de conhecimento em Química.
- D)aulas de construção histórica de modelos e teorias científicas.
Errada, porque a abordagem histórica é útil para contextualizar conceitos, mas não substitui a vivência experimental do fenômeno químico.
- E)uso de computadores para trabalhar gráficos e tabelas.
Errada, porque trabalhar gráficos e tabelas ainda mantém o foco no nível representacional, apenas com apoio tecnológico.
Gabarito: C
Machado critica um ensino de Química que fica preso quase só ao que aparece no papel: símbolos, fórmulas, gráficos e contas, sem conexão com o que a Química representa de fato no mundo real. Em termos didáticos, isso empobrece a aprendizagem porque o aluno decora linguagem química, mas não entende o fenômeno, nem consegue relacionar teoria, representação e realidade. Uma forma mais equilibrada de trabalhar os níveis de conhecimento é aproximar o conteúdo do que pode ser observado e investigado. A aula experimental ajuda exatamente nisso: o estudante vê a transformação acontecendo, coleta evidências, compara resultados e depois relaciona a experiência com modelos e explicações teóricas. Ou seja, não fica só no “desenho” da Química, mas chega ao fenômeno e à interpretação. Por isso, o gabarito é a letra C. Em laboratório, a aula deixa de ser só discurso e vira investigação, permitindo articular o nível macroscópico (o que se observa), o representacional (símbolos, equações, modelos) e o teórico (as explicações). Esse equilíbrio é o tipo de ensino que a crítica de Machado sugere quando aponta o excesso de abstração descontextualizada. Na prática, a experimentação não é enfeite de aula: ela ajuda a dar sentido ao conteúdo e evita que a Química vire apenas um pacote de fórmulas para decorar. É o famoso momento em que a ciência deixa de morar só no caderno e aparece na bancada.