Um extrato hidroalcóolico rico em canabinoides foi entregue ao laboratório para verificar, por meio da razão entre as concentrações de tetrahidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD) na amostra, se seria uma amostra medicinal ou não. Se THC/CBD for menor que 1, a amostra não é considerada uma droga se o teor de THC for menor que 0,3% m/v. Por um erro de armazenamento, detectou-se 70% de degradação do THC e uma amostra ilícita foi liberada, pois THC/CBD deu igual a 0,9 e a concentração de THC foi de 0,3% m/v. Os valores originais de THC e CBD, antes da degradação, eram
- A)THC = 0,7 % m/v, CBD = 0,1 % m/v.
Errada, porque 0,7% m/v seria o THC original se tivesse restado 100% de 0,7, mas o enunciado leva a 1,0% m/v.
- B)THC = 0,7 % m/v, CBD = 0,33 % m/v.
Errada, porque o THC original não era 0,7% m/v e, além disso, o CBD calculado pela razão não fica em 0,33% por acaso aqui.
- C)THC = 1,0 % m/v, CBD = 0,33 % m/v.
Certa, porque 0,3% m/v representa 30% do THC original após 70% de degradação, resultando em 1,0% m/v, e a razão 0,9 leva o CBD a 0,33% m/v.
- D)THC = 1,0 % m/v, CBD = 0,9 % m/v.
Errada, porque o CBD não era 0,9% m/v; esse valor é a razão THC/CBD, não a concentração de CBD.
- E)THC = 0,7 % m/v, CBD = 0,9 % m/v.
Errada, porque o THC original não era 0,7% m/v e o CBD também não corresponde a esse valor quando você aplica a razão informada.
Gabarito: C
Aqui a ideia é trabalhar com porcentagem de degradação, que nada mais é do que olhar quanto restou da substância depois do “estrago”. Se houve 70% de degradação do THC, então sobrou 30% do valor original. Como, depois do problema, a concentração de THC ficou em 0,3% m/v, isso significa que 0,3 corresponde a 30% do valor inicial. Fazendo a continha, o THC original era 1,0% m/v. Agora entra a razão THC/CBD. O enunciado diz que, após a degradação, essa razão era 0,9. Como o THC naquele momento era 0,3% m/v, o CBD correspondente era 0,3/0,9 = 0,33% m/v, aproximadamente. Como o enunciado só informa degradação do THC, tomamos o CBD como não alterado para reconstruir o valor original. Então, antes da degradação, os valores eram THC = 1,0% m/v e CBD = 0,33% m/v. Isso bate exatamente com a alternativa C. É uma questão clássica de leitura de porcentagem + regra de três, com a banca esperando que você não se perca no detalhe do que foi degradado e do que foi medido depois. Em termos de conceito, a análise lembra muito controle de qualidade: você usa a concentração remanescente e a razão entre componentes para voltar ao valor inicial. O truque é simples, mas exige atenção cirúrgica para não inverter a lógica.