Em um laboratório de hemoterapia, a equipe está realizando a produção de crioprecipitado (CRIO). Durante o processo, um dos profissionais envolvidos na produção de hemoderivados observa na metade do tempo para o fim do processo de centrifugação que a temperatura do centrifugador não está dentro do intervalo recomendado, tomando, assim, as medidas cabíveis e recomendadas. Trata-se de um intervalo correto de temperatura da centrífuga para a produção do crioprecipitado:
- A)–2°C ± 8°C
Errada, porque –2°C ± 8°C é uma faixa incompatível com o controle térmico usual da centrifugação para produção de crioprecipitado.
- B)0°C ± 1°C
Errada, porque 0°C ± 1°C não corresponde ao intervalo recomendado para essa etapa do processamento hemoterápico.
- C)0°C ± –6°C
Errada, porque a expressão 0°C ± –6°C está tecnicamente inadequada e não representa a faixa correta de temperatura da centrífuga.
- D)4°C ± 2°C
Certa, porque a centrifugação para produção de crioprecipitado deve ocorrer em 4°C ± 2°C, mantendo o produto em faixa refrigerada adequada.
Gabarito: D
Na produção de crioprecipitado (CRIO), o ponto principal é preservar os fatores de coagulação sensíveis ao frio, especialmente o fibrinogênio, o fator VIII e o fator von Willebrand. Por isso, a centrifugação não pode ser feita em qualquer temperatura: ela precisa ocorrer em faixa controlada, para evitar perda de atividade dos componentes que depois serão recuperados no crioprecipitado. Na rotina de hemoterapia, o processo costuma ser conduzido em centrífuga refrigerada, justamente para manter a amostra em temperatura adequada durante a separação do plasma. Se a temperatura sai do intervalo recomendado, a qualidade do hemocomponente pode ser comprometida, e a equipe deve intervir imediatamente, como o enunciado descreve. O intervalo clássico cobrado para essa etapa é de 4°C, com variação de mais ou menos 2°C. Isso significa trabalhar, na prática, entre 2°C e 6°C. É uma faixa segura e aceita para a produção do crioprecipitado, preservando os fatores lábeis e permitindo a formação correta do produto. Por isso, o gabarito é a alternativa D. As demais opções trazem temperaturas muito fora do padrão de processamento do CRIO ou intervalos sem compatibilidade com a técnica de hemoterapia. Em prova, pense sempre: crioprecipitado gosta de frio controlado, não de improviso congelante.