As substâncias tóxicas persistentes (STP) compreendem os agrotóxicos clorados (como o aldrin e o DDT), as bifenilas policloradas (BPC) e os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA). As principais características químicas dessas substâncias são alta hidrofobicidade, baixa pressão de vapor, baixa reatividade no meio ambiente e grande tendência para se acumular, ou bioconcentrar, nos tecidos dos organismos vivos. Quando despejadas no meio ambiente devido a descartes líquidos — por exemplo, esgoto —, irão sofrer distribuição entre os vários compartimentos ambientais. O compartimento ambiental que mais acumulará as STP é
- A)a água subterrânea, devido ao fato de essas substâncias terem tempo de vida suficiente para percolarem os solos.
Errada, porque essas substâncias não percolam facilmente até a água subterrânea em quantidade relevante, já que tendem a se adsorver ao solo e aos sedimentos.
- B)a atmosfera, devido ao fato de essas substâncias serem pouco solúveis em água e apresentarem tendência a escapar para a atmosfera.
Errada, porque a baixa pressão de vapor indica pouca tendência de ir para a atmosfera, e não o contrário.
- C)o sedimento aquático rico em matéria orgânica, por ser o destino prioritário para substâncias pouco solúveis em água e com baixas pressões de vapor.
Certa, pois substâncias muito hidrofóbicas, pouco solúveis e pouco voláteis tendem a se acumular no sedimento aquático rico em matéria orgânica.
- D)a água superficial (como rios e lagos), pois é o compartimento ambiental que mais recebe descargas líquidas contendo STP.
Errada, porque a água superficial pode receber o descarte, mas não é o compartimento que mais acumula STP, já que elas rapidamente se associam a partículas e sedimentos.
Gabarito: C
As substâncias tóxicas persistentes, como DDT, BPC e certos HPA, têm um comportamento bem característico no ambiente: elas não gostam de água, não evaporam com facilidade e quase não reagem. Em termos práticos, isso faz com que elas “fujam” da fase aquosa e acabem se associando mais aos sólidos do que permanecendo dissolvidas. No meio ambiente, o destino de uma substância depende muito de propriedades como solubilidade, volatilidade e afinidade por matéria orgânica. Quando um resíduo líquido com STP é lançado no ambiente, ele não fica igualmente distribuído em todos os compartimentos. Como são compostos muito hidrofóbicos e pouco voláteis, tendem a se ligar a partículas em suspensão e, depois, a se acumular no fundo de rios, lagos e estuários, especialmente no sedimento rico em matéria orgânica. Esse sedimento funciona como uma espécie de “puxadinho” químico para compostos apolares: ele retém o que a água não consegue manter dissolvido. Por isso, a alternativa C está correta. O sedimento aquático rico em matéria orgânica é o principal reservatório para substâncias pouco solúveis em água e com baixa pressão de vapor, justamente o perfil das STP citadas no enunciado. Além disso, esse acúmulo favorece a persistência e a biomagnificação ao longo da cadeia alimentar. Não há, aqui, uma pegadinha de lei específica, mas sim de fisico-química ambiental. Em concursos, vale lembrar esse raciocínio clássico: alta hidrofobicidade e baixa volatilidade apontam para adsorção em sedimentos e matéria orgânica, não para permanência na água ou na atmosfera.