Em relação às interações farmacológicas adversas, assinale a alternativa que apresenta uma informação correta.
- A)Em pacientes que fazem uso de clorpromazina, a injeção intravascular acidental de uma pequena quantidade de solução anestésica com epinefrina (ou similares) pode potencializar a hipertensão arterial.
Errada: clorpromazina tem efeito alfa-bloqueador e a epinefrina pode causar resposta pressórica inesperada, mas a afirmação apresentada não descreve corretamente a interação típica.
- B)A administração de doses terapêuticas de paracetamol para pacientes tratados com varfarina pode provocar um efeito rebote trombolítico.
Errada: paracetamol não provoca efeito rebote trombolítico com varfarina; o problema é outro, com possível alteração do INR e risco de sangramento.
- C)Em pacientes que fazem uso de varfarina, os corticosteroides competem com ela pela ligação às proteínas do plasma, deslocando-a e potencializando seus efeitos.
Errada: corticosteroides não são o exemplo clássico de deslocamento da varfarina das proteínas plasmáticas, e a interação não ocorre dessa forma.
- D)O paracetamol não deve ser associado a outros fármacos comprovadamente hepatotóxicos, como o antibiótico eritromicina e o clavulanato de potássio, que geralmente é associado à amoxicilina.
Certa: paracetamol deve ser evitado ou usado com cautela junto a outros fármacos hepatotóxicos, pois pode aumentar o risco de toxicidade hepática.
- E)Em pacientes que fazem uso de inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina, não seletivos, a administração de anestésico local contendo norepine frina ou corbadrina podem causar a diminuição abrupta da pressão arterial.
Errada: antidepressivos serotoninérgicos não costumam causar queda abrupta de pressão ao serem associados a anestésicos com norepinefrina; a interação descrita está incorreta.
Gabarito: D
As interações farmacológicas adversas são um clássico de prova porque misturam farmacologia com clínica do dia a dia do consultório. A ideia central é simples: um remédio pode aumentar, diminuir ou modificar o efeito do outro, e isso pode acontecer por deslocamento proteico, metabolismo hepático, efeito aditivo ou até interação com anestésicos locais e vasoconstritores. Na Odontologia, isso aparece muito com anticoagulantes, antidepressivos, corticosteroides, anestésicos com vasoconstritor e analgésicos como o paracetamol. Por isso, a banca gosta de testar se você sabe identificar quando a interação é real e quando a frase parece bonita, mas está farmacologicamente torta. O gabarito é a letra D porque o paracetamol realmente deve ser usado com cautela quando o paciente já faz uso de outros fármacos hepatotóxicos. Isso faz sentido com a farmacologia básica: o paracetamol, em excesso ou em associação desfavorável, aumenta o risco de lesão hepática. Antibióticos como a eritromicina e o clavulanato de potássio também podem estar associados a hepatotoxicidade, então a soma desses riscos merece atenção. As demais alternativas erram por distorcer o mecanismo da interação. A prova não quer que você decore frases soltas, e sim que reconheça o efeito farmacológico real. Em concurso, a regra de ouro é: se a explicação parece dramática demais ou usa um mecanismo errado, desconfie.