A anatomia da cabeça e do pescoço compreende área de interesse da Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial. A compreensão do funcionamento das estruturas nervosa, musculares, ósseas é indispensável para o diagnóstico e tratamento das patologias que acometem o complexo buco-maxilo-facial. Avalie as alternativas e selecione a INCORRETA.
- A)Existem quatro pares de gânglios parassimpáticos na cabeça, chamados de ciliar, pterigopalatino, ótico e submandibular.
Certa: existem quatro pares de gânglios parassimpáticos na cabeça, exatamente ciliar, pterigopalatino, ótico e submandibular.
- B)Os axônios pré-glanglionares originam-se no núcleo acessório do nervo oculomotor no mesencéfalo. Trafegam através de um ramo do nervo oculomotor até o gânglio ótico onde sofre sinapse.
Errada: as fibras para o gânglio ótico não se originam no núcleo acessório do oculomotor; esse trajeto está ligado ao núcleo de Edinger-Westphal e ao gânglio ciliar.
- C)Acredita-se que os axônios pós-ganglionares, retransmitidos no gânglio pterigopalatino, trafegam para a glândula lacrimal através dos ramos zigomáticos da divisão maxilar do nervo trigêmeo e pelos ramos ganglionares para as glândulas das túnicas mucosas nasal e do palato.
Certa: o gânglio pterigopalatino distribui fibras para a glândula lacrimal e para glândulas da mucosa nasal e do palato.
- D)Fibras pós-ganglionares inervam as glândulas salivares submandibulares e sublinguais e acredita-se que trafeguem no nervo lingual.
Certa: as fibras pós-ganglionares para as glândulas submandibular e sublingual seguem, em geral, pelo nervo lingual.
- E)A estimulação do nervo petroso menor produz efeitos vasodilatadores e secretomotores.
Certa: a estimulação do nervo petroso menor gera efeito secretomotor e vasodilatador, típico da via parassimpática.
Gabarito: B
A cabeça e o pescoço têm um esquema parassimpático bem cobrado em prova: quatro gânglios principais, cada um ligado a uma função e a um trajeto nervoso específico. Eles são o ciliar, pterigopalatino, ótico e submandibular. Se voce entende de onde sai a fibra pré-ganglionar, onde ela faz sinapse e por qual nervo a pós-ganglionar segue, quase metade da questão já ficou fácil. No caso da alternativa B, o problema é anatômico e funcional. As fibras pré-ganglionares que fazem sinapse no gânglio ótico não vêm do núcleo acessório do nervo oculomotor no mesencéfalo. Esse núcleo está relacionado ao controle da musculatura extrínseca do olho, e o parassimpático ocular correto se liga ao núcleo de Edinger-Westphal, também no mesencéfalo. É daí que saem as fibras que acompanham o nervo oculomotor até o gânglio ciliar, e não o ótico. Os demais itens descrevem trajetos clássicos do parassimpático craniano: o gânglio pterigopalatino envia fibras para a glândula lacrimal e para glândulas da mucosa nasal e do palato; o gânglio submandibular se relaciona com as glândulas submandibular e sublingual; e o nervo petroso menor leva fibras que produzem efeito secretomotor e vasodilatador. Em prova, a banca costuma trocar nomes de núcleos e gânglios para ver se voce está atento ao caminho inteiro. Em resumo: a chave é lembrar que o parassimpático da cabeça não trabalha no improviso. Cada gânglio tem seu par craniano de origem, seu local de sinapse e seu alvo final. Quando a questão mistura o núcleo errado com o gânglio errado, ela entrega a própria armadilha.