Sabe-se que a gestação acarreta várias modificações no organismo da mulher, como o aumento de aporte sanguíneo materno e a compressão dos órgãos internos, principalmente da bexiga. Com a evolução da gestação, o peso do feto é um fator importante a se considerar em relação ao atendimento odontológico da mulher grávida. De acordo com essas informações, a melhor maneira de se posicionar a gestante na cadeira odontológica, a fim de que não comprometa nenhuma função orgânica, é:
- A)Posicionar a gestante com a região abdominal inclinada para o lado direito, a fim de evitar a compressão do canal arterial, que é um largo vaso que comunica a artéria pulmonar com a aorta, causando falta de circulação sanguínea do feto.
Errada, porque a inclinação para a direita não é a orientação clássica para evitar a compressão da veia cava inferior e ainda cita um vaso e um mecanismo incorretos.
- B)Posicionar a gestante com a região abdominal inclinada para o lado esquerdo, a fim de evitar a compressão do canal arterial, que é um largo vaso que comunica a artéria pulmonar com a aorta, causando a dificuldade respiratória da gestante e a troca gasosa do feto.
Errada, porque mistura conceitos anatômicos e atribui ao canal arterial uma função e uma compressão que não explicam o problema postural da gestante.
- C)Posicionar a gestante com a região abdominal inclinada para o lado esquerdo, a fim de evitar a compressão da artéria peritoneal, acarretando a diminuição da circulação cerebral da gestante e do feto.
Errada, porque a artéria peritoneal não é o vaso relevante nessa situação e a justificativa sobre circulação cerebral também não corresponde ao mecanismo real.
- D)Posicionar a gestante de forma supina, a fim de evitar a compressão do diafragma, impedindo o retorno sanguíneo adequado e acarretando falta de ar e diminuição da filtração glomerular pelos rins maternos.
Errada, porque a posição supina piora a compressão da veia cava inferior e do retorno venoso, em vez de evitar o problema.
- E)Posicionar a gestante com a região abdominal inclinada para o lado esquerdo, a fim de evitar a compressão da veia cava inferior, impedindo o retorno venoso adequado e acarretando a diminuição da circulação cerebral da gestante e do feto.
Certa, porque a inclinação para o lado esquerdo reduz a compressão da veia cava inferior pelo útero gravídico, preservando o retorno venoso e a perfusão materno-fetal.
Gabarito: E
Na gestação, especialmente no segundo e terceiro trimestres, o útero aumenta de volume e pode comprimir vasos importantes quando a gestante fica muito tempo de barriga para cima. O ponto-chave aqui é evitar a compressão da veia cava inferior, que dificulta o retorno venoso ao coração, reduz a pressão arterial materna e pode causar tontura, mal-estar e até diminuir a perfusão uteroplacentária. No atendimento odontológico, a posição mais segura costuma ser com leve inclinação para o lado esquerdo. Esse ajuste desloca o útero para longe da veia cava inferior, melhorando o retorno venoso e preservando a circulação materna e fetal. É uma medida simples, mas que faz bastante diferença na sala clínica, sem drama e sem susto. A alternativa E está correta porque descreve exatamente essa lógica fisiológica: decúbito ou inclinação para a esquerda para evitar a compressão da veia cava inferior. Quando isso acontece, a gestante mantém melhor circulação e o feto também se beneficia da perfusão adequada. Esse cuidado é compatível com a orientação doutrinária de atendimento odontológico à gestante, que recomenda posicionamento com pequeno deslocamento lateral para prevenir a síndrome da hipotensão supina. Resumo prático: gestante na cadeira odontológica não deve ficar totalmente supina por muito tempo. Se você lembrar de "desviar o útero para a esquerda para poupar a cava", você mata a questão.