A prática odontológica, pela proximidade face a face profissional-paciente, exposição frequente a saliva, sangue e outros fluidos, produção de aerossóis, além do uso de instrumentos cortantes manuais contaminados, foi identificada como uma área de alto potencial de contaminação pelo SarsCov-2, causador da Covid-19. Nesse sentido, o Ministério da Saúde adotou parâmetros para orientação e decisão quanto aos tipos de atendimentos a serem disponibilizados nesse momento de pandemia, que vêm sendo atualizados de acordo com o cenário epidemiológico, as decisões de autoridades locais e o juízo clínico dos profissionais. Assim, os atendimentos odontológicos foram classificados em quatro tipos: emergências, urgências, eletivos essenciais e eletivos ampliados. Enquadram-se como atendimentos de urgência:
- A)celulite, sangramentos não controlados, abscesso periodontal e trauma dental
Errada, porque celulite e sangramento não controlado tendem a se enquadrar em situação mais grave, e abscesso periodontal também exige avaliar gravidade, não sendo a melhor lista de urgência da questão.
- B)trauma dental, pulpite ulcerativa necrosante, atendimento a diabéticos e pessoas com deficiência
Errada, porque atendimento a diabéticos e pessoas com deficiência não é, por si só, urgência odontológica, embora possa exigir prioridade ou adequação do cuidado.
- C)trauma dental, pulpite ulcerativa necrosante, mucosite e dor orofacial
Certa, pois reúne exemplos de atendimentos considerados de urgência, com dor, trauma e lesões inflamatórias que precisam de manejo rápido.
- D)celulite, sangramentos não controlados, atendimento a diabéticos e pessoas com deficiência
Errada, porque mistura situações potencialmente graves como celulite e sangramento não controlado com categorias de paciente que não definem urgência por si mesmas.
Gabarito: C
Na pandemia, o Ministério da Saúde organizou o atendimento odontológico em faixas de prioridade para reduzir risco de contágio e, ao mesmo tempo, não deixar o paciente sem cuidado quando havia dor, infecção ou trauma. A lógica é simples: emergências são situações com risco imediato e urgências são problemas que precisam de atendimento rápido, mas sem exigir a intervenção de vida ou morte naquele minuto. Dentro das urgências, entram quadros como trauma dental, dor aguda intensa, processos infecciosos localizados e lesões inflamatórias que já estão causando sofrimento importante. É por isso que a alternativa C faz sentido: trauma dental, pulpite ulcerativa necrosante, mucosite e dor orofacial aparecem como exemplos de atendimento urgente, pois pedem alívio e manejo clínico em curto prazo. Já celulite, sangramentos não controlados e abscessos extensos costumam apontar para gravidade maior, com perfil de emergência ou necessidade de resolução imediata, e não apenas de urgência. E atenção: atendimento a diabéticos e pessoas com deficiência não é, por si só, uma urgência, mas sim uma condição que pode exigir prioridade ou essencialidade conforme o caso clínico. Então, o coração da questão é separar o que é dor e dano importante, mas ainda manejável como urgência, do que representa risco sistêmico maior. A banca SELECON costuma misturar esses grupos para testar se você sabe classificar o atendimento pelo grau de risco e não só pelo nome bonito do problema.