Quanto à halitose é INCORRETO afirmar:
- A)É a expressão usada para definir um odor bucal desagradável, geralmente percebido pelos circunstantes e, menos frequentemente, pelo próprio paciente.
Certa: define adequadamente halitose como odor bucal desagradável percebido por outras pessoas e, às vezes, pelo próprio paciente.
- B)A queixa de halitose requer exame cuidadoso, não só da cavidade bucal, mas também dos sistemas respiratórios e digestivos da pele e mucosas.
Certa: a investigação da halitose deve ser cuidadosa e abranger cavidade bucal e possíveis causas sistêmicas, inclusive respiratórias e digestivas.
- C)A halitose pode ser também de origem metabólica ou psicogênica.
Certa: além das causas bucais, a halitose pode ter origem metabólica ou psicogênica.
- D)As causas gerais ou não bucais são: respiratórias; uso de bebidas alcoólicas ou adocicadas; hábito de fumar ou mascar tabaco; ingestão freqüente de alimentos e bebidas fortemente aromatizadas; digestivas; metabólicas; psicogênicas; por jejum de mais de 3 horas e idade avançada (quanto mais idoso maior halitose).
Errada: embora várias causas gerais citadas sejam plausíveis, a afirmação erra ao tratar a idade avançada como causa direta e inevitável de halitose, o que não é correto.
- E)As lesões locais representam cerca de 90% das causas da halitose, que podem ocorrer devido a uma higiene bucal inadequada (resíduos alimentares, impactação alimentar, placa bacteriana, depósitos de cálculo dentário), permitindo a fermentação ou putrefação de substâncias orgânicas; saburra lingual, língua pilosa; higiene deficiente em aparelhos protéticos; doenças gengivais e periodontais (p. ex., gengivite ulcerativa necrosante aguda); lesões abertas de cárie dentárias; lesões de tecido mole com ulcerações, hemorragia ou necrose, áreas submetidas à cirurgia ou extração dentária.
Certa: a maior parte dos casos tem origem local, especialmente por higiene deficiente, saburra lingual, doença periodontal, cáries e lesões com necrose ou ulceração.
Gabarito: D
Halitose é o mau odor expirado pela boca, e o primeiro passo na avaliação é pensar de onde ele vem: na maioria das vezes, a origem é bucal, sobretudo pela ação de bactérias sobre restos alimentares, saburra lingual, gengivite e doença periodontal. Por isso, o exame clínico precisa ser amplo e incluir cavidade bucal, língua, próteses e, quando necessário, investigação de causas sistêmicas e comportamentais. Na prática, a halitose pode ter origem local, respiratória, digestiva, metabólica ou até psicogênica. Isso significa que nem sempre o problema está "no dente"; às vezes o cheiro vem de jejum prolongado, tabagismo, álcool, dietas, refluxo, alterações metabólicas ou até da percepção do próprio paciente, como na halitose imaginária. O gabarito é a letra D porque ela mistura dados verdadeiros com uma afirmação incorreta e generalizante: idade avançada não é causa direta de halitose, e sim um fator associado em alguns casos por maior frequência de doença periodontal, xerostomia, próteses e higiene mais difícil. Além disso, a formulação dá a entender que toda pessoa idosa terá mais halitose, o que não procede. Em resumo: a grande maioria dos casos é de origem bucal, mas o diagnóstico não pode ser feito no "achismo". Halitose pede investigação clínica completa, e a banca costuma cobrar exatamente essa distinção entre causa local, sistêmica e erro conceitual em afirmações absolutas.