Os cimentos de ionômero de vidro (CIV) são materiais restauradores que consistem de partículas inorgânicas de vidro, dispersas numa matriz insolúvel de hidrogel. Alguns cuidados no manuseio desse cimento são necessários para não haver modificação de seus princípios. Assinale a alternativa que corretamente explica esse cuidado.
- A)Deixar os potes abertos até o término da espatulação para não haver demora na incorporação de material, se necessário, e modificar o resultado final do cimento
Errada: manter os potes abertos aumenta a chance de contaminação e alteração das propriedades do CIV.
- B)Guardar os frascos de pó e de líquido afastados de frascos que contenham líquidos voláteis para não contaminar o CIV
Certa: frascos de CIV devem ser mantidos afastados de líquidos voláteis para evitar contaminação e mudança na composição do material.
- C)Porções de pó retiradas dos frascos e não utilizadas no processo de manipulação devem ser levadas de volta aos frascos para não haver desperdício e nem falta do material quando chegar no fim dos potes
Errada: devolver ao frasco o pó já retirado favorece contaminação cruzada e compromete a qualidade do cimento.
- D)O pó e o líquido devem ser manipulados obrigatoriamente em placa de vidro devido sua superfície ser rígida e lisa, facilitando a aglutinação do pó e líquido
Errada: a manipulação do CIV não é obrigatoriamente em placa de vidro em todos os casos, pois isso depende da apresentação e da orientação do fabricante.
- E)Nunca se deve agitar o frasco de pó do CIV para não haver aspersão dos componentes
Errada: agitar o frasco de pó não é o cuidado central descrito para evitar aspersão, e a alternativa não traz o risco principal cobrado na questão.
Gabarito: B
Os cimentos de ionômero de vidro (CIV) são muito usados porque unem adesão ao dente, liberação de flúor e boa compatibilidade biológica. Mas, na prática, eles são “sensíveis ao clima da bancada”: umidade, calor excessivo, evaporação de componentes e contaminação podem alterar a reação de presa e o desempenho final. Por isso, o manuseio correto não é detalhe, é parte do sucesso clínico. No caso do pó e do líquido, o cuidado principal é evitar que o material seja contaminado por substâncias externas que possam mudar sua composição. O líquido do CIV é especialmente sensível, e deve ficar longe de frascos com líquidos voláteis, porque vapores podem contaminar o conteúdo e comprometer as propriedades do cimento. É aquele tipo de erro pequeno que depois vira restauração fraca e dor de cabeça. A alternativa B está correta justamente por trazer esse princípio de armazenamento seguro e isolamento do material. Em materiais odontológicos, a orientação do fabricante sempre manda bastante, porque a estabilidade do CIV depende muito dessas condições de conservação e manipulação. Não há, aqui, uma lei específica, mas há regra técnica clássica de biosegurança e de respeito às instruções de uso do fabricante. As demais alternativas falam em práticas inadequadas: deixar frascos abertos, recolocar porção retirada no frasco e até agitar o pó sem cuidado podem contaminar ou alterar o material. Já a espatulação do CIV, em geral, não exige obrigatoriamente placa de vidro em qualquer situação, porque isso depende da apresentação e da técnica indicada. Em prova, a banca gosta de testar exatamente esses detalhes de armazenamento e contaminação.