Os anestésicos locais injetáveis utilizados em odontologia são baseados em ésteres e amidas, sendo considerados vasodilatadores. Para controle da perfusão tecidual do anestésico, são utilizados vasoconstritores. Nesse sentido, assinale a alternativa correta.
- A)A associação entre o sal anestésico e o vasoconstritor é terminantemente proibido para todos os pacientes cardíacos
Errada, porque a associação com vasoconstritor não é terminantemente proibida para todos os pacientes cardíacos; a conduta deve ser individualizada e pode haver uso com cautela.
- B)A associação entre o sal anestésico e o vasoconstritor aumenta o risco de toxicidade e prolonga a ação anestésica na área
Errada, porque o vasoconstritor tende a reduzir a toxicidade sistêmica ao diminuir a absorção do anestésico, embora também prolongue sua ação local.
- C)A associação entre o sal anestésico e o vasoconstritor reduz o risco de toxicidade e prolonga a ação anestésica na área
Certa, porque o vasoconstritor reduz a absorção sistêmica do anestésico, diminuindo toxicidade e prolongando seu efeito na área.
- D)A escolha do anestésico local e sua associação ou não a vasoconstritores é independente da história médica do paciente, do tempo previsto para o procedimento e da necessidade de hemostasia durante o procedimento
Errada, porque a escolha do anestésico e do vasoconstritor depende sim da história médica, do tempo do procedimento e da necessidade de hemostasia.
- E)Nem o sal anestésico, nem o vasoconstritor são determinantes para complicações anestésicas
Errada, porque tanto o sal anestésico quanto o vasoconstritor influenciam diretamente a ocorrência de complicações, especialmente em relação à dose, absorção e perfil cardiovascular.
Gabarito: C
Os anestésicos locais em odontologia, em geral, causam vasodilatação. Isso faz com que o anestésico saia mais rápido do local, o que encurta sua ação e pode aumentar a absorção sistêmica. Por isso, costuma-se associar um vasoconstritor, como a adrenalina, para diminuir a perfusão tecidual, manter o anestésico por mais tempo na área e melhorar o controle da dor e do sangramento. Na prática, o vasoconstritor ajuda a prolongar a anestesia, reduzir a necessidade de reaplicação e também diminui a toxicidade sistêmica ao retardar a entrada do anestésico na circulação. É uma lógica simples: menos “fuga” do anestésico do local, mais efeito local e menos problema geral. Não é mágica, é farmacologia bem aplicada. A alternativa C está correta exatamente por isso: a associação entre o sal anestésico e o vasoconstritor reduz o risco de toxicidade e prolonga a ação anestésica na área. Em pacientes com doença cardiovascular, a conduta não é proibir de forma absoluta, mas avaliar risco, dose, tipo de vasoconstritor e condição clínica. Na odontologia, a escolha deve ser individualizada, com atenção à história médica, ao tempo do procedimento e à necessidade de hemostasia.