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Odontologia · FUNDATEC · 2023

Questão comentada de Odontologia

A assistência ao pré-natal integral busca assegurar o desenvolvimento da gestação e manter a saúde materno-infantil, considerando os aspectos de promoção e prevenção em saúde, rastreio e diagnóstico de doenças. Sabe-se que, implementado oportunamente com práticas baseadas em evidências apropriadas, o pré-natal pode salvar vidas. Em decorrência desse aspecto, a Nota Técnica nº 15/2022-SAPS/MS estabeleceu como um dos Indicadores Previne Brasil para o ano 2022 a proporção de gestantes com atendimento odontológico realizado na Atenção Primária à Saúde. A respeito da atenção à saúde bucal à gestante na Atenção Primária, assinale a alternativa INCORRETA.

Gabarito: D

Na gestante, o atendimento odontológico na Atenção Primária não deve ser visto como problema, e sim como parte do cuidado integral. Em geral, a gestação não contraindica tratamento odontológico, e o ideal é não adiar procedimentos necessários, porque dor, infecção e inflamação também trazem risco para mãe e bebê. Se possível, muitos serviços preferem o segundo trimestre para procedimentos eletivos, mas urgência e necessidade clínica devem ser tratadas no momento em que aparecem. Na prática, orientações, profilaxia, controle de placa, tratamento periodontal, restaurações e eliminação de focos infecciosos fazem parte do cuidado seguro. Também é importante organizar o fluxo da equipe para facilitar o acesso da gestante, com agenda compartilhada, interconsulta e ações educativas, porque muita gente ainda chega ao consultório com medo de atender grávidas. Esse medo, aliás, costuma ser mais forte do que o risco real do procedimento. A alternativa D está incorreta porque anestésicos locais com vasoconstritor podem, sim, ser usados na gestação, mas o mais indicado de rotina é a lidocaína com epinefrina em concentração usual, por ser a opção mais estudada e aceita. Já a prilocaína 3% com felipressina não é a escolha preferencial, pois a prilocaína tem risco de metemoglobinemia e a felipressina merece cautela na gestante, não sendo apresentada como a melhor opção de rotina. Em outras palavras: segura, sim; primeira escolha, não. Esse raciocínio está alinhado às orientações do Ministério da Saúde para atenção à saúde bucal da gestante na APS, que reforçam atendimento oportuno, seguro e baseado em evidências, sem adiar cuidado necessário por medo exagerado.

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