A reação de presa do cimento de ionômero de vidro ocorre em três fases: a fase de deslocamento de íons, a fase de formação da matriz de hidrogel e a fase de gel de polissais. Durante a primeira fase, onde ocorre a aglutinação do pó e do líquido, a fase aquosa do ácido umedece a camada externa das partículas de vidro do pó e se repete quando o material é inserido na cavidade, ocorrendo, desta vez, entre a fase aquosa do ácido e as paredes cavitárias. O resultado da reação, quando o cimento entra em contato com o tecido dentário, é:
- A)o deslocamento, causado pelo íon hidrogênio, dos íons cálcio e fosfato, que reagem com os grupos carboxílicos do cimento, aderindo quimicamente à estrutura dentária;
Certa: descreve a troca iônica com a estrutura dental e a adesão química do ionômero ao dente.
- B)a liberação lenta de alumínio, formando o hidrogel que circunda as partículas de vidro não reagidas, resultando em maturação da matriz;
Errada: alumínio participa da maturação da matriz, mas não é o principal mecanismo de adesão ao tecido dentário.
- C)a dissolução da camada externa da dentina causada pela fase aquosa do ácido, liberando íons cálcio, que reagem com o flúor, formando fluoreto de cálcio;
Errada: não ocorre essa dissolução da dentina com formação de fluoreto de cálcio como mecanismo de presa e adesão.
- D)a liberação de cálcio, que reage com as cadeias aquosas de poliácidos formando ligações iônicas de poliacrilato de cálcio, reduzindo a mobilidade das cadeias poliméricas e formando a matriz de gel;
Errada: a formação da matriz envolve principalmente a interação dos poliácidos com íons do vidro, não uma liberação de cálcio da dentina como descrito.
- E)o molhamento do ácido sobre as partículas sólidas, causando um aumento temporário das porosidades internas, reduzindo a mobilidade das cadeias poliméricas aquosas e formando a matriz de gel.
Errada: confunde o molhamento inicial com o mecanismo de união ao dente e descreve efeitos que não correspondem à reação de presa.
Gabarito: A
O cimento de ionômero de vidro tem uma química bem característica: ele libera ácido, ataca de leve a superfície dental e depois faz uma ligação iônica com a estrutura do dente. Na prática, o material não “gruda” como uma cola qualquer. Ele se liga quimicamente, principalmente aos íons cálcio da hidroxiapatita, formando uma adesão importante à dentina e ao esmalte. Na reação de presa, o ácido poliacrílico reage com o vidro fluoraluminosilicato, liberando íons que participam da formação da matriz. Quando o cimento entra em contato com o tecido dentário, os íons hidrogênio promovem o deslocamento de cálcio e fosfato da superfície dental, abrindo espaço para a interação com os grupos carboxílicos do cimento. É essa troca iônica que explica a união química do material ao dente. Por isso, a alternativa A está correta: ela descreve o mecanismo de adesão do ionômero de vidro ao tecido dentário. Em provas, a FGV costuma cobrar justamente essa ideia central: ionômero de vidro não é só retenção mecânica, ele faz ligação química com o substrato dentário. Como reforço doutrinário, a literatura clássica de materiais odontológicos descreve essa união por quelagem/ligação iônica entre os grupos carboxilato do cimento e o cálcio da hidroxiapatita, além da conhecida liberação de flúor. Então, quando aparecer ionômero de vidro, pense em adesão química + liberação de flúor + boa compatibilidade com dentina.