No contexto de uma odontologia integral e multidisciplinar, a equipe de saúde bucal pode desempenhar um papel ativo na identificação de doenças sistêmicas nos pacientes atendidos. Com relação ao tema, assinale a opção que apresenta apenas exemplos de condutas semiológicas, testes diagnósticos e exames que podem ser utilizados para triagem e identificação de sinais associados com doenças sistêmicas.
- A)Anamnese, sondagem periodontal e medição da hemoglobina glicada.
Errada, porque a sondagem periodontal é exame local periodontal e a hemoglobina glicada é útil, mas a alternativa mistura conduta sistêmica com exame odontológico local.
- B)Radiografia periapical, teste de sensibilidade pulpar e aferição da pressão arterial.
Errada, porque radiografia periapical e teste de sensibilidade pulpar avaliam estruturas dentárias locais, apesar de a pressão arterial ser um bom dado de triagem sistêmica.
- C)Anamnese, sondagem periodontal e exame de furca.
Errada, porque anamnese e sondagem periodontal até podem compor a avaliação clínica, mas exame de furca é um achado periodontal local e não um teste de triagem sistêmica.
- D)Aferição da pressão arterial, anamnese e medição da hemoglobina glicada.
Certa, porque anamnese, aferição da pressão arterial e hemoglobina glicada são recursos úteis para triagem e identificação de sinais relacionados a doenças sistêmicas.
- E)Radiografia periapical, tomografia computadorizada dos maxilares e registro do índice de biofilme visível.
Errada, porque radiografia periapical e tomografia dos maxilares são exames de imagem locais e o índice de biofilme visível não é exame de triagem sistêmica.
Gabarito: D
Na odontologia, a triagem de doenças sistêmicas começa pelo básico bem feito: anamnese caprichada, exame clínico e, quando necessário, alguns testes simples no consultório. A ideia é perceber sinais que não são "só da boca", mas podem refletir algo maior, como diabetes, hipertensão ou alterações hematológicas. É aqui que a equipe bucal vira uma espécie de radar clínico, sem invadir área de ninguém, mas ajudando muito no diagnóstico precoce. Entre os recursos mais usados nessa lógica estão a anamnese, a aferição da pressão arterial e exames complementares rápidos, como a medição da hemoglobina glicada em pacientes com suspeita ou controle de diabetes. A hemoglobina glicada é um marcador importante porque mostra a média da glicemia dos últimos meses, sendo muito útil na triagem e no acompanhamento de distúrbios sistêmicos relacionados ao diabetes. A alternativa D está correta porque reúne apenas procedimentos que fazem sentido para triagem sistêmica: anamnese, pressão arterial e hemoglobina glicada. Nenhum deles é um exame "exclusivamente odontológico"; todos ajudam a identificar ou acompanhar condições gerais de saúde que repercutem na cavidade oral. Esse raciocínio está em linha com a visão integral da odontologia, muito cobrada em provas. Já os itens que misturam radiografia periapical, teste de sensibilidade pulpar, sondagem periodontal ou exame de furca costumam avaliar condição local, dentária ou periodontal. Eles podem até ter valor clínico, mas não são, por si, exames típicos de triagem para doenças sistêmicas. Em prova, a banca gosta de colocar um exame realmente útil no meio de vários que parecem importantes, para ver se você separa o que é diagnóstico local do que é triagem sistêmica.