Os adesivos dentinários revolucionaram a odontologia, pois permitiram restaurações estéticas mais duradouras e funcionais com margens em dentina. Por atuarem em um tecido mineralizado com conteúdo relativamente alto de matéria orgânica, os sistemas adesivos precisaram de algumas gerações de materiais para alcançar a adesividade mais próxima do ideal nesse substrato. Sobre a composição dos adesivos dentinários autocondicionantes, é correto afirmar que:
- A)são destituídos de partículas de carga, para que possam penetrar mais profundamente na dentina desmineralizada;
Errada, porque os adesivos autocondicionantes não são necessariamente destituídos de carga; o ponto central deles é a presença de monômeros ácidos, não a ausência de partículas de carga.
- B)não possuem água nem solventes em sua composição, para que os monômeros hidrofílicos se liguem à água presente na dentina;
Errada, porque esses sistemas geralmente contêm água e/ou solventes para permitir a ionização dos monômeros ácidos e a infiltração na dentina.
- C)possuem monômeros hidrofóbicos (oligômeros dimetacrilatos Bis-GMA e TEGDMA), sem necessidade de grupamentos hidrófilos;
Errada, porque adesivos autocondicionantes precisam de monômeros hidrofílicos e ácidos para atuar na dentina, não sendo formados apenas por Bis-GMA e TEGDMA hidrofóbicos.
- D)possuem monômeros acídicos em sua composição, com a função de desmineralizar a camada de esfregaço e atingir a dentina subjacente;
Certa, porque os adesivos autocondicionantes possuem monômeros ácidos que desmineralizam a camada de esfregaço e permitem interação com a dentina subjacente.
- E)não contêm mais substâncias ácidas e podem ser usados com ou sem uma etapa prévia de condicionamento.
Errada, porque eles continuam contendo substâncias ácidas e podem, em alguns casos, ser usados com ou sem condicionamento prévio, mas isso não elimina sua característica autocondicionante.
Gabarito: D
Os adesivos dentinários autocondicionantes foram criados para simplificar a vida clínica: em vez de dependerem de um condicionamento prévio agressivo, eles conseguem interagir com a dentina e com a camada de esfregaço ao mesmo tempo. A ideia é ter monômeros com caráter ácido, que “atacam” superficialmente o substrato, desmineralizam de modo controlado e permitem a infiltração do adesivo. É a lógica do “gruda e desmineraliza junto”, sem tanto drama em passos separados. Por isso, a composição desses sistemas inclui monômeros acídicos funcionais, como os derivados de fosfato ou carboxilato. Esses componentes têm a função de romper parcialmente a smear layer e alcançar a dentina subjacente, favorecendo a formação da camada híbrida. Em termos práticos, o adesivo não precisa remover tudo como no condicionamento ácido total; ele faz uma abordagem mais gentil, mas ainda eficaz. O gabarito é a letra D porque descreve exatamente essa característica: a presença de monômeros ácidos na formulação, responsáveis por desmineralizar a camada de esfregaço e atuar sobre a dentina subjacente. Essa é a essência dos sistemas autocondicionantes, muito cobrados em prova quando a banca quer comparar com os adesivos convencionais. Vale lembrar: esses adesivos costumam conter água e/ou solventes, porque os monômeros ácidos precisam de meio para ionizar e penetrar no substrato. Então, quando a questão tenta dizer que eles não têm água, não têm solvente ou são só hidrofóbicos, ela está puxando o tapete de quem decorou pela metade.