Um dos principais problemas enfrentados pela equipe de saúde bucal é a organização da demanda, especialmente em relação à assistência, em razão das necessidades reprimidas. Os principais desafios encontrados estão relacionados à I. porta de entrada, que deve ser unificada com a área de médico-enfermagem. II. garantia de acesso à demanda espontânea. III. certificação de que a ordem de chegada seja o principal critério a ser respeitado. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
Errada, porque o item II também está correto e a organização da demanda precisa contemplar a demanda espontânea.
- B)I e II apenas.
Certa, pois a porta de entrada deve ser integrada à equipe e o serviço deve garantir acolhimento à demanda espontânea.
- C)I e III apenas.
Errada, porque o item III está incorreto: a prioridade não deve ser definida só pela ordem de chegada.
- D)II e III apenas.
Errada, porque embora a demanda espontânea seja importante, o item III contraria a lógica de priorização por risco e vulnerabilidade.
- E)I, II e III.
Errada, porque o item III não traduz o modelo de acesso do SUS, que não se baseia apenas em fila.
Gabarito: B
Na Atenção Primária, a equipe de saúde bucal não pode funcionar como uma fila solta de consultório, porque a demanda costuma vir represada e cheia de urgências misturadas com casos crônicos. Por isso, a organização da entrada do usuário precisa ser integrada à equipe de saúde da família, junto com médico e enfermagem, para facilitar o acolhimento e o fluxo do cuidado. O ponto central aqui é a demanda espontânea: o serviço precisa garantir que quem chega sem agendamento seja atendido de algum modo, especialmente quando há dor, infecção ou sofrimento evidente. Isso faz parte do acolhimento e da responsabilização da equipe pela resposta ao usuário, e é coerente com a lógica do SUS e da Política Nacional de Atenção Básica. Já a ideia de que a ordem de chegada deve ser o principal critério não combina com a organização do acesso no SUS. O sistema não deve premiar apenas quem chega primeiro, mas priorizar critérios de risco, vulnerabilidade e necessidade clínica, para evitar que o mais grave espere só porque entrou depois na fila. Por isso, o item I está correto, o item II também está correto, e o item III está errado. O gabarito é a letra B, porque a boa prática em saúde bucal na APS é integrar a porta de entrada e garantir resposta à demanda espontânea, sem transformar a fila em regra absoluta.