As lesões de cárie radicular são altamente prevalentes em pacientes idosos. Sobre a etiologia e o padrão de acometimento clínico dessas lesões, nesse grupo específico de pacientes, é correto afirmar que:
- A)a diminuição do fluxo salivar faz com que as faces linguais dos dentes sejam as mais frequentemente afetadas;
Errada: a diminuição do fluxo salivar não faz com que as faces linguais sejam as mais afetadas, pois o padrão depende muito mais de exposição radicular e retenção de placa do que de uma face isolada.
- B)a diminuição do fluxo salivar faz com que os dentes anteroinferiores sejam os mais frequentemente afetados;
Errada: não existe predileção clássica pelos dentes anteroinferiores apenas pela queda do fluxo salivar; esse raciocínio simplifica demais a distribuição clínica.
- C)a ação combinada de ácidos e forças mastigatórias funcionais faz com que as faces vestibulares dos pré-molares inferiores sejam muito afetadas;
Errada: a ação de ácidos e mastigação não define um predomínio típico nas faces vestibulares dos pré-molares inferiores, que não é o padrão clássico descrito para cárie radicular em idosos.
- D)o menor controle de placa, a diminuição do fluxo salivar e a maior frequência de exposição radicular são fatores associados ao seu desenvolvimento;
Certa: menor controle de placa, redução do fluxo salivar e maior exposição radicular são fatores centrais para o surgimento da cárie radicular em idosos.
- E)a proliferação de fungos, como a Candida albicans, tem papel fundamental no aparecimento dessas lesões, acometendo principalmente superfícies radiculares expostas.
Errada: Candida pode estar presente na cavidade oral, mas não é considerada o fator fundamental das lesões de cárie radicular, que têm etiologia predominantemente relacionada a biofilme, saliva e exposição da raiz.
Gabarito: D
A cárie radicular aparece com muita força em idosos porque, com o passar do tempo, é comum haver retração gengival, expondo a raiz, e também piora do controle de placa, seja por limitação motora, uso de próteses, dificuldade de higienização ou acúmulo de biofilme em áreas retentivas. Some a isso a redução do fluxo salivar, que diminui a limpeza natural da boca e o efeito tampão contra os ácidos, e o terreno fica bem favorável para a doença. Em outras palavras: mais raiz exposta, mais placa e menos saliva, a receita não é boa. Clinicamente, essas lesões costumam surgir em superfícies radiculares expostas, muitas vezes próximas à margem gengival, e podem acometer vários dentes ao mesmo tempo. Em idosos, a distribuição é muito ligada aos locais onde a higiene é mais difícil e onde a raiz ficou mais exposta após recessão gengival, e não a um padrão restrito apenas a dentes anteriores, linguais ou vestibulares específicos. Por isso, a alternativa D está correta: ela reúne os principais fatores associados ao desenvolvimento da cárie radicular, isto é, menor controle de placa, diminuição do fluxo salivar e maior exposição radicular. Esse é o trio clássico cobrado em cariologia para explicar a alta prevalência em idosos. A ideia central é bem doutrinária e alinhada ao que se ensina em prevenção: remover biofilme, controlar xerostomia e proteger áreas expostas.