Um paciente de 40 anos comparece ao consultório com queixa de dor moderada e difusa e inchaço, relacionados ao elemento 36. Ao exame clínico, notaram-se boas condições de saúde bucal; porém, esse elemento apresentava extensa restauração metálica fundida com presença de tumefação na gengiva ao seu redor. Ao ser sondada, a região apresentou bolsa profunda e supuração na região distovestibular. A radiografia do elemento evidenciou tratamento endodôntico satisfatório, presença de pino metálico e restauração indireta com bom contorno cervical. No entanto, havia uma significativa área de perda óssea vertical na raiz distal, em associação com o segmento apical do pino, sugerindo fratura da raiz. A condição clínica aguda apresentada pelo paciente refere-se a um abscesso:
- A)gengival;
Errada, porque abscesso gengival é mais superficial e restrito à margem gengival, sem bolsa periodontal profunda nem perda óssea significativa.
- B)periapical;
Errada, porque o abscesso periapical nasce da polpa e do ápice dental, o que não é o cenário descrito, já que o tratamento endodôntico estava satisfatório.
- C)periodontal;
Certa, porque há bolsa profunda, supuração, edema localizado e perda óssea vertical ao redor da raiz, achados típicos de abscesso periodontal.
- D)endodôntico;
Errada, porque o abscesso endodôntico se relaciona a necrose pulpar e lesão periapical, e o enunciado aponta para origem periodontal, não pulpar.
- E)pericoronário.
Errada, porque abscesso pericoronário ocorre em torno de dente parcialmente erupcionado, geralmente associado a terceiros molares, o que não é o caso.
Gabarito: C
O quadro descrito aponta para um abscesso periodontal: há bolsa profunda, supuração, inchaço gengival localizado e perda óssea vertical associada à região radicular, o que combina com infecção originada nos tecidos de suporte do dente. Em periodontia, esse tipo de abscesso costuma aparecer quando uma bolsa já existente drena pouco, acumula biofilme e entra em fase aguda, gerando dor, edema e pus. No caso, o elemento 36 ainda tem tratamento endodôntico satisfatório, então a origem principal não é endodôntica, mas periodontal, ligada à destruição do periodonto e à fratura radicular local. A presença de pino, restauração e perda óssea na raiz distal reforça que o problema está ao redor da raiz e do periodonto, e não no periápice como foco primário. Por isso, o gabarito é a alternativa C.