Sobre o uso de anestésicos locais em odontologia, uma contraindicação relativa significa que o fármaco pode ser administrado ao paciente depois da avaliação cuidadosa do risco associado ao seu uso versus seu potencial benefício se um fármaco alternativo aceitável não estiver à disposição. Constitui-se uma contraindicação relativa ao uso de anestésicos locais do tipo amida:
- A)trombocitopenia;
Trombocitopenia não é contraindicação específica para anestésicos amida; o problema maior é o risco de sangramento em procedimentos invasivos, não a droga em si.
- B)disfunção hepática significativa;
Correta: os anestésicos do tipo amida dependem do metabolismo hepático, então disfunção hepática significativa pode aumentar a toxicidade e exige cautela.
- C)doença falciforme do tipo Hb SS;
Doença falciforme Hb SS pode exigir cuidados por risco sistêmico e de hipóxia, mas não é a contraindicação relativa clássica para amidas.
- D)presença de pseudocolinesterase atípica;
Pseudocolinesterase atípica se relaciona com anestésicos do tipo éster, não com os do tipo amida.
- E)presença de válvulas cardíacas protéticas.
Válvulas cardíacas protéticas não configuram contraindicação relativa típica para anestésicos locais amida; o cuidado maior é com profilaxia e condição cardiovascular associada.
Gabarito: B
Quando você pensa em anestésicos locais, vale lembrar que eles caem em dois grandes grupos: ésteres e amidas. As amidas, como lidocaína, mepivacaína, prilocaína e bupivacaína, são metabolizadas principalmente no fígado. Então, se o paciente tem disfunção hepática importante, o organismo pode eliminar o fármaco mais devagar, aumentando o risco de acúmulo e de toxicidade. Por isso, essa situação entra como contraindicação relativa: não é um veto automático, mas exige avaliação cuidadosa, dose menor e escolha criteriosa do anestésico.