Em uma articulação temporomandibular normal, o disco encontra-se interposto entre o côndilo e a fossa glenóidea. No entanto, em algumas situações de anormalidade, o disco não se encontra exatamente entre as superfícies articulares, mas sim em uma posição anterior a elas. Em uma situação em que o disco não retorna à sua posição fisiológica sobre a cabeça do côndilo e abaixo da fossa articular durante o movimento de abertura e fechamento da boca, todo o deslocamento do côndilo se dá sobre o tecido conjuntivo dos ligamentos retrodiscais. Isso resulta em um movimento incompleto, limitado e alterado, podendo ser acompanhado de sintomatologia dolorosa. O distúrbio temporomandibular reportado acima corresponde ao deslocamento:
- A)lateral do côndilo;
Errada: o problema descrito não é lateralidade do côndilo, mas sim um deslocamento do disco articular fora da sua posição normal.
- B)do disco articular sem redução;
Certa: o disco não retorna à posição fisiológica durante a abertura e o fechamento, caracterizando deslocamento do disco articular sem redução.
- C)do disco articular com redução;
Errada: no deslocamento com redução, o disco reassume a posição durante o movimento, geralmente com ruído articular, o que não foi descrito.
- D)total do complexo disco-côndilo;
Errada: o enunciado não fala em deslocamento total do complexo disco-côndilo, mas em alteração posicional do disco com limitação funcional.
- E)parcial do complexo disco-côndilo.
Errada: a descrição não corresponde a um deslocamento parcial do complexo disco-côndilo, e sim a um disco anteriorizado que não reduz.
Gabarito: B
Na ATM normal, o disco articular funciona como uma espécie de “almofada” entre o côndilo e a fossa glenoidea, ajudando o movimento a ser suave e organizado. Quando ocorre deslocamento do disco, ele pode sair da posição ideal e gerar ruídos, travamentos e dor, dependendo de como essa peça se comporta durante a abertura e o fechamento da boca. O ponto-chave da questão está nesta ideia: o disco está anteriorizado e não retorna à sua posição fisiológica sobre a cabeça do côndilo durante o movimento mandibular. Quando isso acontece, o côndilo passa a se movimentar sobre os tecidos retrodiscais, e o resultado costuma ser limitação de abertura, desvio e desconforto. Esse quadro é clássico de deslocamento do disco articular sem redução. No deslocamento com redução, há um “clique” ou estalo porque o disco até sai da posição, mas volta para o lugar durante o movimento. Aqui, porém, o disco não reduz, então não há essa recuperação da relação disco-côndilo. Em termos práticos: a mandíbula tenta abrir, mas encontra um obstáculo mecânico persistente, como se algo tivesse “engatado” e não destravasse. Por isso, a alternativa B está correta. Em linguagem de classificação clínica de DTM, isso corresponde ao deslocamento do disco articular sem redução, que pode ser doloroso e produzir limitação funcional. É exatamente o quadro descrito no enunciado.