O fluoreto pode ter efeitos benéficos ou prejudiciais sobre a dentição, dependendo da dosagem utilizada. Seus benefícios resultam principalmente de seu efeito local sobre as superfícies dentárias quando utilizado em alta frequência e baixa concentração, como no caso dos dentifrícios fluoretados. Em contraste, os efeitos prejudiciais do fluoreto decorrem de sua ingestão sistemática durante o período de desenvolvimento dos dentes, resultando em fluorose dental. A fluorose dental pode ser definida como:
- A)um tipo de hipoplasia do esmalte, caracterizada pela perda de estrutura dentária nos casos mais severos de ingestão de fluoretos;
Errada, porque fluorose não é hipoplasia do esmalte nem se caracteriza principalmente por perda de estrutura dentária, embora casos severos possam ter porosidade e fratura superficial.
- B)uma hipomineralização do esmalte, com severidade compatível ao nível de ingestão de fluoreto durante a formação dentária;
Certa, porque a fluorose dental é uma hipomineralização do esmalte causada por ingestão excessiva de fluoreto durante a formação dos dentes.
- C)um defeito congênito do esmalte e dentina causado pela ingestão crônica de quantidades elevadas de fluoretos durante o período de formação dos dentes;
Errada, porque a fluorose não é um defeito congênito de esmalte e dentina, mas um defeito adquirido do esmalte relacionado à exposição sistêmica ao fluoreto na infância.
- D)um defeito na maturação pós-eruptiva do esmalte, causado por altas concentrações plasmáticas de fluoreto, que paralisam o funcionamento dos ameloblastos na fase final de deposição;
Errada, porque não se trata de defeito de maturação pós-eruptiva nem de paralisação dos ameloblastos na fase final de deposição, mas de alteração de mineralização durante a formação.
- E)a formação de um esmalte com mais de 60% de hidroxiapatita fluoretada, com opacidades que podem afetar a estética nos casos mais graves, porém mais resistente à desmineralização.
Errada, porque a fluorose não é definida por um percentual fixo de hidroxiapatita fluoretada e nem por aumento uniforme de resistência; o quadro é um defeito de mineralização com opacidades e possível perda estética e estrutural.
Gabarito: B
A fluorose dental é um defeito do esmalte que aparece quando a pessoa ingere fluoreto em excesso durante a formação dos dentes, especialmente na fase de amelogênese. O ponto-chave é este: o problema não é o flúor usado corretamente no dia a dia, mas a exposição sistêmica acima do ideal, enquanto o dente ainda está se formando. Isso faz o esmalte ficar menos mineralizado, mais poroso e, em casos leves, com manchas opacas brancas; nos quadros graves, pode haver pigmentação e até perda de estrutura superficial. Por isso, a definição clássica da fluorose é a de uma hipomineralização do esmalte relacionada ao nível de ingestão de fluoreto durante a formação dentária. Repare que o termo não descreve uma hipoplasia verdadeira, nem um defeito da dentina, nem uma alteração pós-eruptiva. A lesão é de desenvolvimento, mas o mecanismo principal é de mineralização inadequada do esmalte. Na prática, o flúor continua sendo um aliado importantíssimo contra cárie quando usado em baixa concentração e alta frequência, como nos dentifrícios fluoretados. O que muda é a dose e a via de exposição. Em concurso, a banca adora trocar hipomineralização por hipoplasia ou inventar defeitos de dentina para confundir. Aqui, o segredo é lembrar: fluorose = excesso de fluoreto na fase de formação + esmalte hipomineralizado. Então, o gabarito B está correto porque traduz exatamente essa ideia: a severidade clínica acompanha, em linhas gerais, o nível de ingestão de fluoreto durante a formação dentária.