Foi demonstrado que indivíduos fumantes apresentam maior perda óssea, maior perda de inserção e bolsas periodontais mais profundas do que indivíduos não fumantes. O aumento da prevalência e gravidade da destruição periodontal associada ao tabagismo sugere que as interações entre o hospedeiro e as bactérias vistas normalmente na periodontite crônica são alteradas, resultando em maior destruição periodontal. Corresponde a uma evidência da associação positiva entre o tabagismo e a severidade da doença periodontal:
- A)a redução da taxa de liberação de enzimas e moléculas com atividade osteolítica;
Errada: o tabagismo não reduz a atividade destrutiva periodontal, ele a favorece, com mais perda óssea e de inserção.
- B)o aumento da quantidade de acúmulo de biofilme subgengival em pacientes fumantes;
Errada: fumantes não necessariamente acumulam mais biofilme subgengival; o principal efeito é a alteração da resposta do hospedeiro e da microbiota, não simplesmente mais placa.
- C)a redução dos sinais clínicos da inflamação gengival quando um indivíduo para de fumar;
Errada: a redução de sinais clínicos de inflamação ao parar de fumar é verdadeira, mas isso descreve melhora clínica, não evidência de maior severidade associada ao tabagismo.
- D)o aumento da ingestão de carboidratos fermentáveis em fumantes comparados a não fumantes;
Errada: aumento de carboidratos fermentáveis pode piorar saúde bucal em geral, mas não é a associação clássica e direta cobrada entre tabagismo e periodontite.
- E)o aumento nos níveis de patógenos periodontais remanescentes nas bolsas após terapia mecânica em fumantes.
Certa: fumantes tendem a manter mais patógenos periodontais nas bolsas após terapia mecânica, o que se relaciona com pior resposta ao tratamento e maior destruição periodontal.
Gabarito: E
O tabagismo é um dos principais fatores de risco modificáveis para doença periodontal. Ele piora a resposta do hospedeiro, reduz a defesa local e costuma deixar o quadro clínico mais traiçoeiro: menos sangramento, porém mais destruição tecidual. Em outras palavras, o cigarro não faz só mal na teoria - ele “mascara” a inflamação e acelera a perda de inserção e osso. Na periodontite, o problema não é apenas a presença de bactérias, mas a forma como o organismo reage a elas. Em fumantes, essa interação fica alterada, favorecendo maior profundidade de bolsa, maior perda óssea e pior prognóstico terapêutico. Por isso, mesmo após a raspagem e o alisamento radicular, é comum restarem mais patógenos periodontais nas bolsas de fumantes do que em não fumantes. É exatamente isso que a alternativa E descreve: maior permanência de patógenos remanescentes após a terapia mecânica, o que ajuda a explicar a maior severidade e a pior resposta ao tratamento observadas em fumantes. A literatura periodontal clássica e os consensos da área tratam o tabagismo como fator de risco forte e consistente para progressão da periodontite. Resumo de prova: fumante pode sangrar menos, mas destruir mais. Então, quando a banca quiser associação positiva entre tabagismo e gravidade periodontal, desconfie de tudo que fale em pior eliminação bacteriana, pior resposta ao tratamento e maior destruição tecidual.