Com relação à doença cárie, analise as afirmativas a seguir. I. A maioria dos estudos epidemiológicos de cárie baseia-se nos registros de cáries a partir do método de detecção de cáries visual-tátil. II. A classificação da gravidade das lesões de cárie proposta pela Organização Mundial da Saúde classifica as lesões detectadas ao longo de um continuum de gravidade. III. Um dos métodos usados para alcançar uma medição em nível individual da experiência de cárie é o CPO. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A opção sustenta que apenas a afirmativa I estaria correta. A I procede, porque os estudos epidemiológicos de cárie, em especial os levantamentos de campo padronizados, costumam usar exame visual-tátil para registrar a presença de lesões e a experiência de cárie, já que é um método prático e amplamente aplicável. O problema é que a III também é verdadeira, pois o CPO (cariado, perdido e obturado) é justamente um índice de experiência de cárie no indivíduo.
- B)I e II, apenas.
A opção reúne I e II como se ambas estivessem corretas. A I está adequada pelo uso clássico do exame visual-tátil nos inquéritos epidemiológicos, mas a II não descreve a classificação da OMS: a ideia de organizar lesões em um continuum de gravidade é típica de sistemas como o ICDAS, que graduam desde lesões iniciais até cavitações mais avançadas. Além disso, a III também é verdadeira, porque o CPO é um instrumento usado para medir a experiência de cárie em nível individual.
- C)II e III, apenas.
A opção afirma que II e III estariam corretas. A III realmente procede, porque o CPO soma dentes cariados, perdidos por cárie e obturados, servindo como medida da experiência de cárie do indivíduo. Já a II não corresponde ao modelo clássico da OMS, que não se baseia em uma gradação contínua da severidade das lesões como eixo principal de classificação; e a I também é verdadeira, o que reforça o desacerto da alternativa.
- D)I e III, apenas.
A opção traz I e III, e essa combinação é a correta. A I está certa porque a detecção visual-tátil é a base mais comum dos estudos epidemiológicos de cárie, especialmente em levantamentos populacionais, e a III também está certa porque o CPO é um índice de experiência de cárie usado no indivíduo, contabilizando dentes cariados, perdidos e restaurados. A II é a que destoa, pois a noção de continuum de gravidade é mais compatível com sistemas como o ICDAS do que com a classificação epidemiológica tradicional da OMS.
- E)I, II e III.
A opção afirma que I, II e III estariam corretas. Embora a I e a III estejam corretas pelos motivos já expostos, a II não se sustenta, porque a OMS não utiliza como regra uma classificação de cárie em continuum de gravidade; essa lógica é própria de métodos mais detalhados de detecção e severidade. Por isso, a inclusão da II torna a alternativa excessiva.
Gabarito: D
A cárie é uma doença multifatorial e dinâmica, então a forma de medir sua presença em estudos epidemiológicos importa muito. Tradicionalmente, a maioria dos levantamentos usa o exame visual-tátil, com sonda e espelho, porque é um método simples, padronizável e viável em campo. É exatamente por isso que a afirmativa I está correta. A segunda afirmativa escorrega: a classificação da OMS para cárie, nos levantamentos epidemiológicos, não trabalha com um continuum de gravidade das lesões. Em geral, ela registra o evento de forma mais objetiva e padronizada, sem essa ideia de gradação contínua da lesão como a frase sugere. Já o CPO (ou CPOD, quando se detalha dente por dente) é um índice clássico de experiência de cárie. Ele pode ser usado para medir a experiência de cárie em nível individual e também para análises populacionais, então a afirmativa III está certa. Em resumo: I e III verdadeiras, II falsa, o que leva ao gabarito D.