Em uma consulta de urgência ao examinar a paciente E.D.B, sexo feminino, 4 anos de idade, você constatou a seguinte situação: Intrusão nos elementos 61 e 62 com deslocamento apical em direção vestibular, ou seja, a distância do germe do sucessor permanente. A conduta clínica recomendada para os dentes intruídos é
- A)exodontia.
Errada, porque exodontia não é a primeira escolha quando o dente está afastado do germe permanente e pode reerupcionar espontaneamente.
- B)extrusão ortodôntica.
Errada, porque extrusão ortodôntica não é conduta de rotina para intrusão de dente decíduo e seria desnecessária neste cenário.
- C)extrusão cirurgia.
Errada, porque extrusão cirúrgica também não é indicada em dentes decíduos intruídos com baixo risco ao sucessor permanente.
- D)acompanhamento da re-erupção.
Certa, pois a intrusão com deslocamento vestibular e afastamento do germe permanente costuma ser manejada com observação e controle da re-erupção.
- E)esplintagem.
Errada, porque esplintagem é usada mais em luxações e avulsões selecionadas, e não resolve o caso de intrusão decídua com indicação conservadora.
Gabarito: D
Na dentição decídua, a intrusão é um tipo de trauma em que o dente entra para dentro do osso, e a conduta depende muito da direção do deslocamento da raiz em relação ao germe do permanente. Quando o dente intruído foi deslocado para vestibular, afastando-se do sucessor permanente, a chance de complicação para o dente que vai nascer depois é menor, então a conduta costuma ser conservadora, com acompanhamento clínico e radiográfico para observar a re-erupção espontânea. Em Odontopediatria, isso é clássico: dente decíduo intruído nem sempre sai correndo para o centro cirúrgico. Se ele não estiver oferecendo risco ao germe do permanente, a tendência é aguardar, orientar os responsáveis e controlar a evolução. Em muitos casos, o dente volta a erupcionar sozinho ao longo de semanas ou meses. Por isso o gabarito é a alternativa D. A literatura de traumatologia em dentes decíduos preconiza observação quando não há ameaça ao sucessor permanente, reservando intervenções mais invasivas para situações de risco, infecção, aspiração, ou quando o deslocamento aponta para o germe do permanente. Aqui, como o enunciado destaca que a intrusão foi em direção vestibular e distante do germe, a conduta recomendada é acompanhar a re-erupção.