Pacientes cujos dentes apresentam “hipomineralização molar incisivo” têm maior chance de apresentar as características a seguir, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Atresia pulpar tanto da câmara quanto dos canais radiculares.
Errada: a HMI acomete o esmalte e não tem como achado típico a atresia pulpar da câmara e dos canais radiculares.
- B)Restaurações consideradas atípicas, envolvendo por exemplo as cúspides dentárias.
Certa: em dentes com HMI, as restaurações podem ficar atípicas e extensas, alcançando cúspides e outras áreas fragilizadas.
- C)Cáries consideradas atípicas em relação ao tamanho, localização e padrão de distribuição na boca.
Certa: a cárie pode ter padrão incomum em tamanho, localização e distribuição porque o esmalte hipomineralizado se rompe com facilidade.
- D)Sensibilidade a variações de temperatura.
Certa: a sensibilidade térmica é um achado muito comum na HMI, por causa da porosidade e da fragilidade do esmalte.
- E)Fratura pós eruptivas nas regiões associadas as áreas hipomineralizadas.
Certa: fraturas pós-eruptivas em áreas hipomineralizadas são clássicas e favorecem perda de estrutura dentária.
Gabarito: A
A hipomineralização molar-incisivo (HMI) é um defeito qualitativo do esmalte que afeta, principalmente, os primeiros molares permanentes e, muitas vezes, os incisivos permanentes. O esmalte nasce mais poroso e frágil, então o dente fica mais sensível, quebra com mais facilidade e acaba exigindo restaurações mais “esquisitas” do que o normal, porque a lesão não respeita aquele desenho clássico de cárie que você costuma ver em livros. Na prática, o paciente com HMI costuma reclamar de dor ao frio, ao quente e até ao escovar os dentes. Também é comum haver fratura pós-eruptiva do esmalte nas áreas hipomineralizadas, abrindo caminho para cáries com distribuição e aparência atípicas. Por isso, a banca gosta de misturar sinais clínicos reais da HMI com alterações que parecem plausíveis, mas não são típicas. O ponto central do gabarito é que a HMI não tem como característica clássica a atresia pulpar da câmara e dos canais radiculares. O problema principal é no esmalte, e não uma redução do espaço pulpar. Ou seja, a polpa não é a estrela da doença aqui. Então, quando a questão fala em “à exceção de uma”, você deve procurar justamente a alternativa que foge do padrão clínico da hipomineralização molar-incisivo. As demais opções descrevem consequências compatíveis com esmalte fragilizado, dor e quebra pós-eruptiva.