O cirurgião-dentista clínico deve saber analisar os exames de imagem e identificar as alterações dentoalveolares sugestivas de doenças e síndromes que acometem a região oral e maxilofacial. Uma alteração incomum, com destruição óssea em formato de “colher tipo concha para sorvete”, cujo epicentro é o terço médio da raiz, é encontrada em casos de:
- A)periodontite estágio II;
Errada: a periodontite estágio II pode causar perda óssea periodontal, mas não costuma gerar o padrão radiográfico incomum descrito como “colher tipo concha para sorvete”.
- B)histiocitose de células de Langerhans;
Certa: a histiocitose de células de Langerhans pode produzir destruição óssea dentoalveolar com aspecto escavado e epicentro no terço médio da raiz.
- C)fratura radicular longitudinal;
Errada: fratura radicular longitudinal é uma lesão estrutural do dente, e não explica esse padrão típico de destruição óssea no osso de suporte.
- D)lesão endoperiodontal grau I;
Errada: a lesão endoperiodontal grau I pode cursar com alterações periodontais e endodônticas, mas não com esse aspecto radiográfico peculiar descrito no enunciado.
- E)periodontite juvenil.
Errada: a periodontite juvenil pode causar perda óssea precoce e rápida, porém a descrição em concha para sorvete é mais característica de outra condição.
Gabarito: B
Quando você vê uma imagem com destruição óssea dentoalveolar bem incomum, vale lembrar que algumas doenças sistêmicas e hematológicas têm assinatura radiográfica própria. Nem toda lesão “ao redor do dente” é periodontite: às vezes o problema é uma condição infiltrativa ou proliferativa que muda o osso de um jeito bem característico. Na histiocitose de células de Langerhans, a lesão pode causar reabsorção óssea com aspecto de escavação, como se houvesse uma “colher tipo concha para sorvete”, e o defeito pode ter o epicentro no terço médio da raiz. Esse padrão é clássico porque a doença pode produzir perda óssea irregular e focal, muitas vezes confundindo o clínico menos atento. Por isso, o gabarito é a alternativa B. A histiocitose de células de Langerhans é uma entidade que entra no diagnóstico diferencial de lesões osteolíticas da mandíbula e maxila, especialmente quando a imagem mostra reabsorção atípica e não apenas perda óssea periodontal comum. Em provas, a banca gosta de chamar atenção para a forma da destruição óssea, mais do que para sintomas clínicos exuberantes. Já periodontites e lesões endodonto-periodontais costumam seguir um padrão mais compatível com perda de inserção, rarefação periapical ou defeitos ósseos relacionados à inflamação, mas não com esse aspecto “escavado” tão peculiar. Então, quando aparecer uma imagem com esse desenho de erosão em concha, pense primeiro em histiocitose de células de Langerhans.