Analise a seguinte situação clínica: Paciente de 23 anos, sexo feminino, sem comprometimento sistêmico, não fumante e sem periodontite. Ao exame, apresenta dois sítios com profundidade de bolsa à sondagem aumentada, medindo respectivamente 10mm e 15mm nas faces V e M do dente 46. Observa-se na radiografia, um defeito intraósseo atingindo o ápice radicular da raiz mesial do elemento 46. O mesmo possui uma restauração extensa em resina e não responde ao teste de vitalidade. Assinale a opção que apresenta o diagnóstico correto de acordo com a nova classificação das lesões endoperiodontais, proposta pelo World Workshop de 2017.
- A)Lesão endoperiodontal grau 1.
Errada, porque o quadro é muito mais extenso e grave do que uma lesão endoperiodontal inicial de grau 1.
- B)Lesão endoperiodontal grau 2.
Errada, porque a profundidade das bolsas e o defeito ósseo até o ápice indicam comprometimento mais avançado do que grau 2.
- C)Lesão endoperiodontal grau 3.
Certa, pois a perda de vitalidade somada a bolsas muito profundas e defeito intraósseo apical caracteriza lesão endoperiodontal grau 3.
- D)Lesão de furca grau 2.
Errada, porque o caso descreve lesão endoperiodontal com envolvimento apical, e não apenas uma lesão de furca.
- E)Lesão de furca grau 3.
Errada, porque a furca pode estar envolvida em molar, mas o enunciado destaca defeito intraósseo atingindo o ápice, o que afasta essa classificação isolada.
Gabarito: C
A nova classificação do World Workshop de 2017 passou a organizar as lesões endoperiodontais com mais lógica clínica, separando o que começa no endodonto, o que começa no periodonto e o que é realmente combinado. Aqui, o ponto-chave é que o dente 46 não responde ao teste de vitalidade e tem um defeito intraósseo que chega até o ápice da raiz mesial. Isso aponta forte origem endodôntica com repercussão periodontal secundária. Em provas, vale pensar assim: quando a polpa morre, a infecção pode drenar pelo ligamento periodontal e criar sondagens profundas e defeitos ósseos que parecem doença periodontal, mas o motor da lesão está no canal radicular. Nesse cenário, a lesão costuma ser classificada como endoperiodontal, e o grau depende da extensão e complexidade da destruição periodontal associada. O enunciado traz bolsas muito profundas, de 10 mm e 15 mm, além de um defeito intraósseo que alcança o ápice. Esse conjunto mostra envolvimento periodontal severo, compatível com lesão endoperiodontal grau 3. Não é um simples problema de furca, porque o caso descreve comprometimento apical e não apenas a região de bifurcação. Portanto, o gabarito C está correto porque há uma lesão de origem endodôntica, com perda de vitalidade e destruição periodontal importante, indo além de um quadro limitado ou inicial. Em resumo: canal doente, periodonto sofrendo, e a lesão já veio grande, sem pedir licença.