Nos casos clínicos em que a cárie atinge o nível da crista óssea, sendo necessária a realização de cirurgia periodontal para restabelecimento do espaço biológico, o principal fator que deve ser levado em consideração na hora de decidir pela realização ou não de uma incisão do tipo “colarinho”, com remoção de tecido mole é
- A)a altura da faixa de tecido queratinizado presente.
Correta, porque a altura da faixa de tecido queratinizado é o principal parâmetro para decidir se a remoção de tecido mole será viável sem prejudicar a estabilidade periodontal.
- B)a extensão da osteotomia.
Errada, porque a extensão da osteotomia é consequência do planejamento cirúrgico, mas não é o fator principal para decidir pela incisão com remoção de tecido mole.
- C)a altura do tronco radicular.
Errada, porque a altura do tronco radicular influencia a restauração e a retenção, mas não é o critério central para optar pela incisão em colarinho.
- D)a idade do paciente.
Errada, porque a idade do paciente não define, por si só, a necessidade ou a segurança da remoção de tecido mole.
- E)a experiência do cirurgião.
Errada, porque a experiência do cirurgião ajuda na execução, mas a indicação deve ser guiada pela anatomia periodontal do caso.
Gabarito: A
Quando a cárie avança até perto da crista óssea, o dentista pode precisar fazer uma cirurgia periodontal para “ganhar espaço” e permitir a restauração sem invadir o periodonto. A ideia é restabelecer a chamada largura biológica, hoje mais bem entendida como a inserção supracrestal, isto é, uma faixa de tecido mole que precisa ser respeitada para não gerar inflamação crônica e perda de suporte. Nessa hora, a decisão sobre fazer ou não uma incisão em “colarinho” com remoção de tecido mole depende principalmente de quanto tecido queratinizado existe naquela região. Se a faixa queratinizada é adequada, a remoção de gengiva pode ser uma opção mais previsível. Se ela é pequena, a agressão ao tecido mole pode piorar a estabilidade periodontal e comprometer o resultado estético e funcional. Por isso o gabarito é a letra A. O raciocínio clínico é simples: antes de mexer em osso e gengiva, você precisa olhar o “estoque” de tecido queratinizado disponível para não criar um problema maior do que o que já existe. Em periodontia, o planejamento sempre tenta equilibrar acesso, saúde periodontal e manutenção da faixa de gengiva queratinizada. Em provas, a FGV costuma cobrar esse tipo de conduta pensando mais no planejamento biológico do que em detalhes operatórios soltos. Aqui, o ponto central não é a idade do paciente, nem a experiência do profissional, e sim a condição anatômica local que vai dizer se a gengiva suporta a cirurgia.