Analise a seguinte situação clínica: paciente com periodontite estágio 1, grau A, localizada, retorna para consulta de manutenção periodontal. Ao exame é identificada uma lesão endo-periodontal grau 1 no elemento 44, com profundidade de sondagem = 12mm, sem dano radicular. As demais bolsas estão controladas. Neste caso, o tratamento deve ser iniciado por
- A)raspagem subgengival na bolsa do dente 44.
Errada, porque raspagem subgengival isolada não resolve uma lesão endo-periodontal quando o foco inicial provável é endodôntico.
- B)cirurgia regenerativa com amelogeninas.
Errada, pois cirurgia regenerativa com amelogeninas não é a primeira conduta em uma lesão endo-periodontal sem antes controlar a infecção pulpar.
- C)exodontia do dente 44.
Errada, porque não há indicação de exodontia neste caso, já que o dente não apresenta dano radicular e pode ser tratado.
- D)tratamento endodôntico do dente 44.
Certa, porque a lesão endo-periodontal deve ser abordada inicialmente pelo tratamento endodôntico para remover a fonte de contaminação interna.
- E)ajuste oclusal.
Errada, porque ajuste oclusal não trata a causa infecciosa da lesão e não é a prioridade terapêutica aqui.
Gabarito: D
Em lesões endo-periodontais, a primeira pergunta não é "onde dói mais", e sim qual o foco principal do problema. Quando o dente apresenta uma lesão endo-periodontal sem dano radicular e com profundidade de sondagem muito grande, a conduta inicial deve considerar que a infecção pulpar pode estar alimentando a comunicação com o periodonto. Por isso, o tratamento começa pela endodontia, para eliminar a fonte interna de contaminação e permitir a reavaliação periodontal depois. No caso descrito, o dente 44 tem uma bolsa de 12 mm, mas as demais bolsas estão controladas e não há dano radicular. Isso favorece a hipótese de uma lesão endo-periodontal com predominância endodôntica ou, pelo menos, necessidade de abordar primeiro o componente pulpar. Se você sair fazendo raspagem, cirurgia ou ajuste oclusal antes de tratar o canal, pode estar tratando o "efeito" e deixando a "causa" quietinha no dente, esperando a sua próxima prova para te confundir. A lógica clínica clássica é: primeiro controlar a infecção endodôntica, depois reavaliar o sítio periodontal. Se a bolsa persistir, aí sim você pensa em terapia periodontal complementar. Em periodontia, isso é bem importante porque a sondagem profunda isolada não define, sozinha, que o problema é exclusivamente periodontal. Por isso o gabarito é D. O tratamento endodôntico deve ser iniciado primeiro, já que a lesão endo-periodontal sem comprometimento radicular exige prioridade do componente endodôntico antes de qualquer intervenção periodontal mais invasiva.