Em pacientes utilizando denosumabe combinado com corticoide, há risco aumentado de desenvolver uma complicação pós-exodontia em consequência da alteração na atividade osteoclástica. Tal condição, de difícil manejo, que pode demandar tratamento cirúrgico em alguns casos é:
- A)disestesia;
Errada, porque disestesia é alteração de sensibilidade, e não a complicação óssea pós-exodontia associada a denosumabe e corticoide.
- B)hemorragia;
Errada, porque hemorragia pode ocorrer em cirurgias, mas não é a complicação típica ligada à alteração da atividade osteoclástica descrita no enunciado.
- C)abscesso;
Errada, porque abscesso é uma infecção local, e a questão aponta para uma necrose óssea relacionada a medicamento, não para uma coleção purulenta isolada.
- D)MRONJ;
Certa, porque a osteonecrose dos maxilares relacionada a medicamentos (MRONJ) é o evento clássico em pacientes sob anti-reabsortivos como denosumabe, especialmente com corticoide.
- E)granuloma.
Errada, porque granuloma é uma resposta inflamatória/reacional, sem relação direta com a complicação óssea medicamentosa cobrada na questão.
Gabarito: D
O ponto central da questão é lembrar que alguns medicamentos mexem diretamente com o remodelamento ósseo e deixam a cicatrização óssea mais lenta e mais complicada após procedimentos invasivos, como a exodontia. O denosumabe reduz a atividade dos osteoclastos ao bloquear o RANKL, e o uso combinado com corticoide aumenta ainda mais o risco de complicações ósseas, especialmente quando há trauma cirúrgico na boca. Nessa situação, a complicação clássica é a osteonecrose dos maxilares relacionada a medicamentos, conhecida pela sigla MRONJ. Ela aparece como exposição óssea persistente, dor, infecção local e dificuldade de cicatrização, podendo evoluir de forma chata de manejar e, em alguns casos, exigir tratamento cirúrgico. Ou seja: não é uma sangria dramática, nem um abscesso comum. O problema aqui é a falha na reparação do osso. Esse tema é muito cobrado em Cirurgia e em Odontologia para pacientes sistêmicos porque envolve anti-reabsortivos e imunossupressores. O raciocínio é simples: se o osso perde a capacidade de remodelar e reparar, a extração vira um cenário de risco. Por isso, a banca associa denosumabe, corticoide e pós-exodontia à MRONJ. Então, o gabarito D está correto porque descreve exatamente a complicação óssea esperada nesse contexto farmacológico. As demais alternativas fogem do mecanismo principal: o problema não é nervoso, nem hemorrágico, nem uma lesão reacional. É uma osteonecrose medicamentosa dos maxilares.