Paciente com fenótipo periodontal espesso fraturou uma restauração MOD em amálgama. Ao exame clínico e radiográfico, observa-se que a distância do término à crista óssea alveolar é de 1mm e o dente responde ao teste de vitalidade pulpar. A conduta mais adequada para o caso é:
- A)restabelecimento do espaço biológico – restauração provisória – restauração definitiva;
Correta, porque é preciso restabelecer o espaço biológico e só depois seguir com provisória e restauração definitiva.
- B)moldagem com afastamento com fio duplo – restauração definitiva;
Errada, porque a moldagem com afastamento por fio duplo não corrige a invasão do espaço biológico nem resolve a proximidade com o osso.
- C)moldagem com casquete – restauração provisória – restauração definitiva;
Errada, porque o casquete pode ajudar na moldagem, mas não substitui o restabelecimento do espaço biológico antes da restauração definitiva.
- D)tratamento endodôntico – pino intracanal e preenchimento – restauração definitiva;
Errada, porque o dente está vital e não há indicação de tratamento endodôntico com pino para esse caso.
- E)restabelecimento do espaço biológico – restauração definitiva.
Errada, porque falta a etapa provisória antes da definitiva, que é importante após o restabelecimento do espaço biológico.
Gabarito: A
Quando uma restauração fratura e o término fica muito perto da crista óssea, o problema não é só “trocar o material”. Se a margem invadir a zona de inserção supracrestal dos tecidos moles, o periodonto reclama: inflama, sangra e o selamento fica instável. Em termos práticos, precisa haver espaço suficiente entre a margem restauradora e o osso para acomodar sulco e inserção conjuntiva, evitando violação do chamado espaço biológico, hoje também descrito como inserção supracrestal dos tecidos moles. Neste caso, a distância de apenas 1 mm até a crista óssea é curta demais para uma reabilitação definitiva tranquila. Por isso, antes da restauração final, a conduta correta é restabelecer esse espaço, normalmente por cirurgia periodontal de aumento de coroa clínica ou outra técnica indicada para devolver a distância segura à margem. Como o dente está vital, não há indicação de endodontia, e como o periodonto ainda precisa cicatrizar e estabilizar, a etapa provisória vem antes da definitiva. É exatamente por isso que o gabarito é a letra A: primeiro se corrige a relação entre margem e periodonto, depois se coloca uma provisória para proteger o dente e testar a adaptação, e só então se faz a restauração definitiva. Essa lógica é muito cobrada em Dentística porque mistura preparo restaurador com respeito ao periodonto, o famoso “não adianta fazer bonito em cima e irritar embaixo”. Em resumo: quando a margem restauradora ameaça o espaço biológico, você não resolve com pressa, e sim com planejamento periodontal e restaurador em etapas. O objetivo é garantir saúde gengival, estabilidade marginal e longevidade da restauração.