Em um paciente com alta atividade de cárie, assinale a opção que indica o procedimento mais indicado para evitar que os dentes restaurados entrem em um ciclo repetitivo, levando à falha na restauração e eventual perda dentária.
- A)Prescrever bochechos com soluções fluoretadas.
Os bochechos fluoretados ajudam na prevenção, mas sozinhos não resolvem a alta atividade de cárie nem evitam o ciclo de falhas restauradoras.
- B)Restaurar com materiais adesivos.
Materiais adesivos podem melhorar retenção e selamento, porém não substituem o controle do fator causal da doença.
- C)Utilizar materiais ionoméricos.
Materiais ionoméricos liberam flúor e podem ser úteis em risco cariogênico, mas não bastam isoladamente para impedir recorrência se a atividade de cárie permanece alta.
- D)Utilizar amálgama de prata.
O amálgama é um material restaurador resistente, mas a escolha do material não resolve a causa da doença nem evita novas lesões por si só.
- E)Controlar a atividade de cárie.
Correta, porque o controle da atividade de cárie é a medida que interrompe a progressão da doença e reduz falhas repetidas nas restaurações.
Gabarito: E
Em paciente com alta atividade de cárie, o ponto central não é sair trocando restauração toda hora, e sim quebrar o ciclo da doença. Se a causa continua ativa, a restauração vira quase refém do ambiente cariogênico: infiltra, falha, é trocada, e o dente vai acumulando perda de estrutura ao longo do tempo. É o famoso “remendo atrás de remendo”, que no concurso costuma aparecer como armadilha bonita, mas perigosa. Por isso, a conduta mais indicada é controlar a atividade de cárie. Isso significa reduzir o risco biológico do paciente com medidas como controle de biofilme, orientação dietética, fluoretação, acompanhamento periódico e, quando necessário, estratégias de remineralização. Sem esse controle, qualquer material restaurador pode até funcionar no começo, mas a lesão continua a avançar ao redor ou abaixo da restauração. A lógica cariológica é simples: restaurar o dano não resolve sozinho a doença. Você precisa tratar o paciente, não apenas o buraco no dente. Quando a atividade de cárie cai, o risco de novas lesões diminui e as restaurações passam a durar mais, evitando substituições repetidas e perda dentária. Esse raciocínio é o que a FGV costuma cobrar: o foco preventivo e etiológico vem antes da solução puramente restauradora. Não é a matéria do “material perfeito”, é a do controle da doença. Em outras palavras, se a cárie está em alta, o primeiro passo é baixar o fogo antes de tentar salvar a panela.