‘‘De forma similar aos AINES, os corticosteroides são indicados para prevenir a hiperalgesia e controlar o edema inflamatório, decorrentes de intervenções odontológicas eletivas, como a exodontia de inclusos, as cirurgias periodontais, a colocação de implantes múltiplos, as enxertias ósseas etc.’’ As opões a seguir apresentam contraindicações absolutas ao uso de corticosteroides, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Pacientes portadores de doenças psicóticas.
Correta como contraindicação absoluta, pois corticosteroides podem agravar quadros psicóticos e precipitar descompensação psiquiátrica.
- B)Pacientes com supressão do eixo hipotálamo-hipófiseadrenal.
Incorreta como contraindicação absoluta, porque a supressão do eixo HHA é um efeito do uso de corticoides e pede manejo cuidadoso, não proibição total.
- C)Pacientes com tuberculose ativa.
Correta como contraindicação absoluta, já que a imunossupressão pode piorar a tuberculose ativa e favorecer disseminação.
- D)Pacientes portadores de herpes simples ocular.
Correta como contraindicação absoluta, pois corticosteroides podem agravar infecção herpética ocular e trazer risco importante à visão.
- E)Pacientes portadores de doenças fúngicas sistêmicas.
Correta como contraindicação absoluta, porque micoses sistêmicas podem se agravar com a imunossupressão provocada pelos corticosteroides.
Gabarito: B
Os corticosteroides podem ser muito úteis na cirurgia odontológica porque reduzem inflamação, edema e dor pós-operatória, especialmente em procedimentos como exodontia de inclusos, implantes e enxertos. Só que, como quase todo medicamento “forte”, eles não são brinquedo: podem piorar infecções, descompensar doenças e trazer efeitos sistêmicos importantes. Em prova, a banca costuma cobrar as contraindicações absolutas clássicas do uso de corticosteroides: doença psicótica, tuberculose ativa, herpes simples ocular e micoses sistêmicas. Nesses quadros, o corticoide pode agravar muito o problema, seja por imunossupressão, seja por piora direta da doença de base. A alternativa B é a exceção porque a supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal não é, por si só, uma contraindicação absoluta. Na verdade, ela é um efeito adverso/repercussão do uso prolongado de corticosteroides e exige ajuste, avaliação clínica e, em alguns casos, esquema de cobertura ou redução gradual, mas não entra na lista das proibições absolutas. É o famoso caso em que o problema não é “não pode nunca”, e sim “tem que manejar direito”. Na prática, a doutrina de farmacologia e cirurgia oral trata esses cenários com cautela e individualização. A lógica é simples: se há risco de agravar infecção ativa ou transtorno psiquiátrico importante, o corticoide sai de cena; se há supressão adrenal, o que se faz é planejar e monitorar melhor.