Com relação à antibioticoterapia, analise as afirmativas a seguir. I. O tratamento com antibióticos deve ser prolongado (7 a 10 dias) para eliminar microorganismos resistentes. II. As infecções odontogênicas possuem alta taxa de reincidência, mesmo após a erradicação do foco infeccioso com uso de terapias locais de descontaminação. III. O uso prolongado de antibióticos de amplo espectro, especialmente quando utilizados concomitantemente a outros agentes antimicrobianos, pode aumentar o risco de infecção por bactérias resistentes. Está correto o que se afirma em
- A)I, somente.
Esta alternativa sustenta que somente a afirmativa I estaria correta, isto é, que o antibiótico deveria ser mantido por 7 a 10 dias para eliminar microrganismos resistentes. Na prática, a duração do tratamento deve ser a menor possível para controlar a infecção com segurança, porque prolongar o uso não “elimina” resistência e ainda favorece seleção de cepas resistentes e eventos adversos. Portanto, o item I traz uma ideia contrária à antibioticoterapia racional em Odontologia.
- B)II, somente.
Aqui se afirma que apenas a afirmativa II estaria correta, como se as infecções odontogênicas tivessem alta reincidência mesmo após a erradicação do foco infeccioso por medidas locais. Ocorre o contrário: quando há controle do foco, por drenagem, remoção da causa e descontaminação local, a tendência é a resolução do processo, e a recidiva costuma ocorrer quando o foco persiste ou o tratamento é incompleto. Assim, a afirmativa II não descreve adequadamente o comportamento clínico dessas infecções.
- C)III, somente.
Esta é a correta porque a afirmativa III descreve um efeito bem conhecido do uso prolongado de antibióticos de amplo espectro: aumento da pressão seletiva sobre a microbiota e maior risco de colonização ou infecção por bactérias resistentes. Esse risco pode ser ainda maior quando há associação com outros antimicrobianos, pois a exposição cumulativa intensifica a seleção de cepas resistentes. Em termos de farmacologia e controle de infecção, a ideia central está correta.
- D)I e III, somente.
A alternativa diz que as afirmativas I e III estariam corretas. Embora a III realmente traduza um risco verdadeiro da antibioticoterapia prolongada e de amplo espectro, a I está equivocada porque não se recomenda prolongar antibiótico “para eliminar” microrganismos resistentes. O tratamento deve ser guiado por necessidade clínica, fonte da infecção e resposta do paciente, e não por uma duração fixa voltada à falsa ideia de erradicação de resistência.
- E)I, II e III.
Esta opção afirma que as três afirmativas estariam corretas, mas a II não se sustenta. Infecções odontogênicas não costumam apresentar alta taxa de reincidência quando o foco infeccioso é corretamente controlado, porque o principal determinante da resolução é a eliminação da causa local, com antibiótico atuando apenas como adjuvante quando indicado. Como I e II estão incorretas, não é possível aceitar o conjunto inteiro.
Gabarito: C
Na antibioticoterapia odontológica, a ideia central é simples: antibiótico não é enfeite de prescrição nem deve ser usado por tempo maior só para "garantir". Em infecções odontogênicas, o mais importante é controlar o foco local, como drenagem, remoção da causa e descontaminação adequada. O antibiótico entra como apoio, e não como protagonista do tratamento. A afirmativa I está errada porque prolongar o tratamento de rotina por 7 a 10 dias para "eliminar microorganismos resistentes" não é uma regra correta. O uso deve seguir indicação clínica e duração adequada ao caso, evitando exposição desnecessária e seleção de resistência bacteriana. A afirmativa II também está errada. Depois de eliminado o foco infeccioso com terapias locais bem feitas, a tendência não é de alta reincidência por si só. O que faz a infecção voltar, em geral, é foco persistente, drenagem inadequada ou controle local insuficiente, e não uma suposta característica inevitável de recidiva alta. Já a afirmativa III está correta: o uso prolongado de antibióticos de amplo espectro, principalmente associado a outros antimicrobianos, aumenta a pressão seletiva e favorece o surgimento de bactérias resistentes. É o clássico efeito colateral invisível do abuso antibiótico, que a FGV adora cobrar. Assim, somente a III está certa, o que leva ao gabarito C.