Com relação à fratura do tipo Blow-out da órbita, assinale a afirmativa correta.
- A)A alteração da posição do globo ocular pode levar à diplopia unilocular ou binocular, sendo esta a mais frequente.
Certa: a alteração da posição do globo ocular pode causar diplopia, e a forma binocular é a mais frequente nessa fratura.
- B)A força dissipada pelo trauma resulta, com mais frequência, na ruptura do teto orbitário.
Errada: a blow-out acomete mais frequentemente o assoalho orbitário e a parede medial, não o teto.
- C)A radiografia de face tipo fronto-naso é o exame mais adequado para o diagnóstico.
Errada: o exame mais adequado para o diagnóstico é a tomografia computadorizada, não a radiografia fronto-naso.
- D)A diplopia, a oftalmoplegia e a distopia são sinais e sintomas pouco frequentes nessas fraturas.
Errada: diplopia, oftalmoplegia e distopia são achados relativamente frequentes, não pouco frequentes.
- E)Essa fratura é mais grave que a fratura do tipo Blow-in.
Errada: a blow-out não é, em regra, mais grave que a blow-in; a comparação está invertida.
Gabarito: A
A fratura do tipo blow-out da órbita acontece quando há aumento brusco da pressão intraorbitária, geralmente por impacto direto sobre o globo ocular, fazendo com que o assoalho orbitário e/ou a parede medial se rompam. O conteúdo orbitário pode herniar para os seios adjacentes, o que explica sinais como enoftalmia, distopia e limitação da motilidade ocular. É uma fratura clássica de trauma facial e, na prática, costuma chamar atenção pela diplopia e pela alteração da posição do olho. O ponto-chave aqui é que a mudança na posição do globo ocular pode gerar diplopia, e a forma mais frequente é a diplopia binocular, isto é, aquela que melhora quando um olho é ocluído. Isso acontece porque o problema não está na visão de um único olho isoladamente, mas no desalinhamento entre os dois olhos, muitas vezes por encarceramento muscular ou alteração do suporte orbitário. Em termos de imagem, hoje a tomografia computadorizada é o exame de escolha, porque mostra melhor o defeito ósseo e o possível aprisionamento de partes moles. Radiografia simples pode até ser lembrada em provas antigas, mas não é o exame mais adequado para o diagnóstico. E um detalhe que a banca adora inverter: a blow-out costuma envolver o assoalho e a parede medial, não o teto orbitário. Portanto, a alternativa A está correta porque a alteração da posição do globo ocular pode sim levar à diplopia, sendo a binocular a apresentação mais comum nessa fratura. As outras opções trazem trocas clássicas de prova, como local anatômico errado, exame inadequado ou subestimação dos sintomas.