Um paciente de 20 anos, sexo masculino, comparece à clínica odontológica com queixa de dor e inchaço na região do terceiro molar inferior direito. Durante a anamnese, ele relata que a dor começou há cerca de uma semana e tem piorado progressivamente. No exame físico, observa-se a presença de um terceiro molar parcialmente erupcionado, com sinais de inflamação na gengiva ao redor. Com base nessas informações, qual é o diagnóstico mais provável e qual é o plano de tratamento mais adequado para esse caso?
- A)Cárie dentária: restauração do dente afetado.
Errada, porque cárie dentária causa destruição do tecido dentário, e o caso descreve inflamação gengival ao redor de um terceiro molar parcialmente erupcionado.
- B)Pericoronarite: limpeza da área e, se necessário, extração do dente.
Certa, pois o quadro é compatível com pericoronarite e o tratamento inclui limpeza da área, com extração se houver indicação clínica.
- C)Abscesso periapical: tratamento endodôntico (canal).
Errada, porque abscesso periapical costuma estar relacionado à necrose pulpar e infecção na região do ápice, não a um dente parcialmente erupcionado.
- D)Periodontite: raspagem e alisamento radicular.
Errada, porque periodontite é uma doença periodontal com perda de inserção e acometimento dos tecidos de suporte, e não inflamação localizada ao redor de um siso em erupção.
Gabarito: B
A situação descreve um quadro bem típico de pericoronarite, que é a inflamação dos tecidos moles ao redor de um dente parcialmente erupcionado, quase sempre um terceiro molar inferior. É aquele cenário clássico em que o dente fica “meio nascendo”, junta placa, restos alimentares e bactérias, e a gengiva ao redor inflama. Resultado: dor, inchaço, sensibilidade e, às vezes, dificuldade para mastigar ou abrir a boca. O ponto-chave do enunciado é justamente o terceiro molar parcialmente erupcionado com sinais inflamatórios na gengiva ao redor. Isso afasta cárie, abscesso periapical e periodontite como hipótese principal. Aqui, o problema não está no canal do dente nem em perda de suporte periodontal difusa, mas no retalho gengival que recobre parte do dente e favorece a infecção local. O tratamento inicial costuma ser a limpeza da área, com irrigação e remoção de detritos, além de orientação de higiene local. Em alguns casos, pode haver necessidade de analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos se houver sinais sistêmicos ou infecção mais extensa. Se o terceiro molar não tiver boa chance de erupcionar adequadamente ou se o quadro for recorrente, a exodontia passa a ser a conduta definitiva. Em linhas gerais, essa é a lógica prática cobrada em prova. Então, o gabarito B está correto porque associa o diagnóstico compatível com a clínica e o manejo mais adequado. Em Odontologia Pré-Clínica, a banca costuma valorizar a leitura do quadro local e a escolha da conduta conservadora inicial, sem apressar o raciocínio para tratamentos mais invasivos quando o problema é pericoronarite.