Ao realizar exame clínico e radiográfico completo em uma criança de 6 anos de idade, determinada cirurgiã-dentista diagnosticou a presença de várias lesões de cárie com cavitação. A primeira etapa do plano de tratamento foi realizar uma adequação do meio bucal utilizando como material restaurador provisório o cimento de ionômero de vidro. Sobre esse material, assinale a alternativa correta.
- A)A utilização do ácido cítrico, na composição do líquido, tem como função melhorar a adesão do cimento de ionômero de vidro à estrutura dentária.
Errada, porque o ácido cítrico não é a base do mecanismo de adesão do ionômero ao dente; a união ocorre principalmente por interação do ácido poliacrílico com o cálcio da apatita.
- B)Adere fisicamente à estrutura dentária, por meio da quelação dos grupos carboxílicos dos ácidos poliacrílicos ao cálcio presente na apatita do esmalte e da dentina.
Errada, pois a adesão do cimento de ionômero de vidro não é apenas física, mas química, por ligação iônica entre os grupos carboxílicos e o cálcio do esmalte e da dentina.
- C)O ácido poliacrílico, além de ser um ácido de baixo peso molecular (não penetra nos túbulos dentinários), é considerado um ácido fraco, contribuindo, assim, para a biocompatibilidade desse material.
Errada, porque o ácido poliacrílico é de alto peso molecular, o que limita sua penetração dentinária; a ideia de que isso favorece biocompatibilidade é parcialmente verdadeira, mas a afirmação como um todo fica incorreta.
- D)Libera íons fluoreto, por difusão, em menor quantidade para as áreas adjacentes à restauração, e em maiores quantidades para o meio bucal pela lixiviação e dissolução do próprio material restaurador.
Errada, porque o ionômero libera flúor para o meio e para a estrutura dental por difusão e dissolução, mas a redação inverte a lógica da liberação e não descreve corretamente o comportamento do material.
- E)Os coeficientes de expansão térmica do dente e do cimento de ionômero de vidro são similares; com isso, as alterações na interface são pequenas, protegendo a união de falhas, mantendo a integridade da margem da restauração.
Certa, porque o coeficiente de expansão térmica do ionômero de vidro é próximo ao do dente, o que reduz tensões na interface e ajuda a preservar a integridade marginal.
Gabarito: E
O cimento de ionômero de vidro é um queridinho da cariologia porque junta adesão química, liberação de flúor e boa biocompatibilidade. Em dentística preventiva, ele aparece bastante como material provisório ou restaurador em crianças, especialmente quando o objetivo é controlar a doença e não só “tampar buraco”. O ponto-chave da questão está na relação entre o material e o dente. O ionômero tem coeficiente de expansão térmica parecido com o da estrutura dentária, então ele “acompanha” melhor as variações de temperatura da boca. Isso reduz tensões na interface dente-restauração, diminui risco de infiltração marginal e ajuda a manter a vedação. É exatamente por isso que a alternativa E está correta. Além disso, o ionômero adere quimicamente ao esmalte e à dentina por ligação iônica entre os grupos carboxílicos do ácido poliacrílico e o cálcio da hidroxiapatita. Não é uma colagem mecânica pura, nem um material feito para penetrar fundo nos túbulos como se fosse uma esponja supercuriosa. Em resumo: ele é muito útil em cariologia porque sela, libera flúor e se comporta relativamente bem ao lado do dente. A banca costuma cobrar essas propriedades clássicas do CIV: adesão química, liberação de flúor, coeficiente térmico semelhante ao do dente e boa indicação em pacientes com risco de cárie.