Determinada paciente, no segundo trimestre de gestação, sem qualquer doença ou complicação sistêmica, procurou atendimento odontológico por causa de uma pulpite aguda irreversível no primeiro molar inferior direito. Após o exame clínico e radiográfico, o cirurgião-dentista decidiu pela realização do atendimento de urgência e posterior tratamento endodôntico. Diante do exposto, analise as afirmativas a seguir. I. A utilização de doistubetes de solução de lidocaína a 2% com adrenalina 1:100.000, injetada de forma lenta e com aspiração prévia, é segura nesta paciente. II. O paracetamol pode ser utilizado para dores leves a moderadas em qualquer período gestacional, nas concentrações entre 500 e 750 mg, a cada seis a oito horas de intervalo mínimo. III. Para o controle da ansiedade e a promoção de uma leve sedação é recomendável o uso de pequenas doses de benzodiazepínicos. Está correto o que se afirma em
- A)I, II e III.
Esta alternativa reúne as três condutas propostas: anestesia com lidocaína e adrenalina, uso de paracetamol e emprego de benzodiazepínicos para sedação. As duas primeiras medidas são compatíveis com a gestante saudável no segundo trimestre, mas a terceira não é uma recomendação de rotina, porque benzodiazepínicos atravessam a placenta e podem trazer risco fetal e neonatal, especialmente sem indicação estrita. Por isso, incluir a afirmativa III torna o conjunto incorreto.
- B)II, apenas.
Aqui se afirma que somente o paracetamol estaria adequado na situação descrita. De fato, ele é o analgésico de escolha para dor leve a moderada na gestação, com uso habitual em doses como 500 a 750 mg a cada 6 a 8 horas, respeitando a dose máxima diária. Porém, a anestesia com lidocaína 2% associada à adrenalina em pequena quantidade, aplicada lentamente e com aspiração, também é aceita com segurança nesse contexto, então não se pode excluir a afirmativa I.
- C)I e II, apenas.
Esta é a combinação correta porque reúne as assertivas I e II, que se sustentam no cuidado odontológico da gestante saudável. A lidocaína 2% com adrenalina 1:100.000, em dois tubetes e com técnica adequada, fica dentro de uma margem segura no segundo trimestre, e o paracetamol é a opção analgésica preferencial na gravidez para dor leve a moderada, nas doses usuais de 500 a 750 mg com intervalo de 6 a 8 horas. A afirmativa III é que não se mantém, pois benzodiazepínicos não são recomendados como conduta habitual para ansiolise e sedação em gestantes.
- D)I e III, apenas.
Esta alternativa afirma que as proposições corretas seriam a I e a III. A primeira parte procede, porque a lidocaína com adrenalina em dose odontológica e com injeção cautelosa pode ser usada em gestante saudável; já a segunda parte falha, pois benzodiazepínicos não são a escolha recomendável para controle rotineiro de ansiedade e sedação na gravidez devido aos riscos fetais e neonatais. Além disso, a afirmativa II também está correta, o que torna a combinação apresentada incompleta.
- E)II e III, apenas.
Aqui se sustenta que apenas as afirmativas II e III estariam corretas. O paracetamol realmente é apropriado na gestação para dor leve a moderada, mas a inclusão da afirmativa III compromete a alternativa, porque benzodiazepínicos não devem ser usados como recomendação padrão em gestantes. A afirmativa I também está correta, então o conjunto II e III não corresponde ao quadro clínico proposto.
Gabarito: C
Na gestação, o atendimento odontológico de urgência deve ser feito sem drama e sem atraso, porque dor e infecção também trazem risco para a mãe e para o bebê. No segundo trimestre, a anestesia local com lidocaína associada à adrenalina, em dose habitual e com técnica correta (aspiração prévia e injeção lenta), é considerada segura para procedimentos odontológicos. A adrenalina, nesse contexto e nessa quantidade, ajuda a prolongar o efeito anestésico e reduz a absorção sistêmica da lidocaína, o que é desejável quando usada de forma prudente. Também é correto o uso de paracetamol para dor leve a moderada em qualquer fase da gestação, nas doses usuais de 500 a 750 mg a cada 6 a 8 horas, respeitando a dose máxima diária. Já a afirmativa sobre benzodiazepínicos está errada. Esses fármacos não são recomendados como rotina na gestação para sedação leve, porque atravessam a placenta e podem trazer riscos ao feto, especialmente quando o uso não é estritamente necessário. Em gestantes, a regra de ouro é preferir a menor intervenção medicamentosa possível, com fármacos de melhor perfil de segurança e técnicas não farmacológicas para ansiedade quando viável. Por isso, o gabarito é a letra C: somente as assertivas I e II estão corretas. A III cai fora porque exagera numa conduta que, em prova e na vida real, pede muito mais cautela.