Paciente, 48 anos, sexo feminino, melanoderma, apresentou-se para consulta odontológica com radiografia panorâmica, solicitada por um cirurgião-dentista para programação cirúrgica de raízes residuais. Ao analisar a radiografia, foram observadas áreas radiopacas permeadas por áreas radiolúcidas nas regiões posteriores da mandíbula (quadrante posterior direito e esquerdo). Na maxila, foram identificadas duas áreas radiopacas localizadas nos quadrantes posteriores de ambos os lados (direito e esquerdo). As lesões eram assintomáticas e não provocavam nenhuma alteração nas corticais; portanto, se tratava de achado radiográfico. Nenhuma outra informação da saúde da paciente foi digna de nota. Analise a radiografia a seguir: Após análise dos aspectos clínicos e radiográficos, assinale a conduta correta a ser instituída para a paciente em relação às lesões observadas
- A)Solicitar dosagem de paratormônio, cálcio e fosfatase alcalina para investigar condições sistêmicas que estejam repercutindo nos ossos maxilares.
Errada, porque dosagem de PTH, cálcio e fosfatase alcalina é indicada quando se suspeita de alteração metabólica óssea, o que não é o caso típico dessa lesão focal/multifocal assintomática.
- B)Realizar biópsia incisional de uma das lesões da mandíbula para se estabelecer o diagnóstico e, posteriormente, determinar a conduta a ser seguida.
Errada, porque biópsia incisional em lesão típica e assintomática pode gerar complicações e não costuma ser necessária para firmar o diagnóstico.
- C)Realizar biópsia incisional de uma das lesões em maxila, por serem menores e radiopacas, para se estabelecer o diagnóstico e, posteriormente, determinar a conduta.
Errada, porque o tamanho menor ou o aspecto radiopaco na maxila não justificam biópsia; o padrão clínico-radiográfico ainda favorece conduta conservadora.
- D)Realizar biópsia incisional de uma das lesões da maxila e outra biópsia incisional de uma das lesões em maxila, por apresentarem aspectos radiográficos diferentes, para se estabelecer o diagnóstico e, posteriormente, a conduta a ser seguida.
Errada, porque repete a ideia de biopsiar lesões diferentes sem necessidade, e ainda confunde a localização ao mencionar duas vezes a maxila.
- E)Realizar biópsias nas lesões para se estabelecer o diagnóstico não é necessário, pois deve-se reforçar as medidas de higiene e realizar acompanhamento radiográfico para acompanhar a possibilidade de osteomielite por contaminação bucal.
Certa, porque o quadro sugere displasia cemento-óssea florida, que deve ser manejada com orientação de higiene e acompanhamento radiográfico, evitando biópsias e trauma local pelo risco de infecção/osteomielite.
Gabarito: E
Esse quadro é bem clássico de displasia cemento-óssea florida: mulher adulta, melanoderma, lesões múltiplas, bilaterais, em mandíbula e maxila, com aspecto misto radiopaco e radiolúcido e sem sintomas. O detalhe importante é que, quando a lesão tem esse padrão típico e a paciente está assintomática, o diagnóstico costuma ser radiográfico, sem necessidade de mexer no local. Aqui mora a pegadinha: biópsia pode parecer uma atitude “segura”, mas nessas lesões ela geralmente não ajuda e ainda pode atrapalhar, porque o osso é pouco vascularizado e fica mais suscetível a infecção secundária. Por isso, a conduta é conservadora, com orientação de higiene oral e acompanhamento clínico-radiográfico. Na prática, o objetivo é evitar trauma cirúrgico desnecessário. Se a paciente não tem dor, não há expansão cortical e a imagem é típica, você não precisa sair “caçando” diagnóstico no bisturi. O acompanhamento serve para monitorar estabilidade e identificar sinais de complicação, como osteomielite. Então, a lógica é: reconhecer o padrão clínico-radiográfico, evitar biópsia desnecessária e manter vigilância. Em radiologia odontológica, nem toda lesão pede faca; às vezes, pede olho treinado e paciência.