Tradicionalmente, tem-se classificado a prevenção das doenças em três níveis: primária, relacionada com a iniciação da doença; secundária, quando se tenta impedir a progressão e a recorrência da doença; e, terciária, momento em que se procura evitar ou restabelecer a perda de função. Em relação à promoção da saúde e prevenção de doenças bucais, assinale afirmativa correta.
- A)A visão contemporânea de promoção de saúde deve focar em individualizar o atendimento em pessoas com risco de doenças específicas.
Errada, porque promoção da saúde não deve se limitar a individualizar o atendimento em pessoas com risco específico, já que também exige ações coletivas e intersetoriais.
- B)Para prevenção de doenças bucais em pacientes de alto risco, a estratégia populacional, baseada em medidas não individualizadas, não tem indicação.
Errada, porque mesmo pacientes de alto risco podem se beneficiar de estratégias populacionais não individualizadas, como fluoretação, educação em massa e medidas ambientais.
- C)A estratégia populacional para prevenção das doenças bucais deve ser direcionada, exclusivamente, às pessoas de alto risco de desenvolver a doença.
Errada, porque a estratégia populacional não é exclusiva para alto risco; ela é voltada à população em geral e busca reduzir a carga da doença em larga escala.
- D)A saúde é cada vez mais alcançada por meio das atividades de demais agências que não o serviço de saúde, como a escola, o local de trabalho, o comércio, a indústria e a mídia.
Certa, porque a promoção da saúde depende cada vez mais de ações de setores como escola, trabalho, comércio, indústria e mídia, não só do serviço odontológico.
Gabarito: D
A questão mistura dois jeitos clássicos de pensar prevenção e promoção em saúde. Na prevenção, costuma-se falar em primária, secundária e terciária: a primeira evita que a doença apareça, a segunda tenta impedir que ela piore ou volte, e a terceira busca reduzir sequelas e recuperar função. Já promoção da saúde é uma ideia mais ampla: não depende só do consultório nem da orientação individual, porque envolve criar condições para que as pessoas tenham mais saúde no dia a dia. No campo da saúde bucal coletiva, isso significa que escovar bem e usar flúor são importantes, mas não resolvem tudo sozinhos. Para diminuir cárie, doença periodontal e outros problemas, também entram ações em escola, trabalho, comércio, indústria, mídia e outros espaços sociais. A saúde não nasce só no dentista; ela é produzida no território, na rotina e nas políticas públicas. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela traduz exatamente a visão moderna de promoção da saúde: a melhoria da saúde depende cada vez mais de ações de diversos setores, e não apenas do serviço de saúde. Essa ideia conversa com a Carta de Ottawa (1986), marco clássico da promoção da saúde, que defende a criação de ambientes favoráveis, o fortalecimento da ação comunitária e a articulação intersetorial. As alternativas A, B e C caem no velho reducionismo de achar que tudo se resolve no indivíduo de alto risco. Só que, em saúde pública, focar apenas no risco individual pode até ajudar alguns pacientes, mas não substitui estratégias populacionais que alcançam muita gente ao mesmo tempo.