A implementação das ações de políticas públicas voltadas para promoção e prevenção de saúde bucal objetiva diminuir intervenções dentárias desnecessárias no paciente. Desse modo, é importante entender a abordagem atualizada da cárie dentária como uma doença:
- A)Infectocontagiosa que atua nos processos de desmineralização, tendo o açúcar como fator determinante.
Errada: a cárie nao eh classificada hoje como infectocontagiosa e o açúcar nao atua sozinho como fator determinante, mas como parte de um processo multifatorial.
- B)Infecciosa, transmissível, complexa pela presença de espécies cariogênicas e associada ao açúcar de adição.
Errada: embora a cárie envolva microrganismos e dieta, a formulação de doença infecciosa e transmissível simplifica demais a etiologia e nao reflete a visão atual da disbiose.
- C)Que resulta na disbiose causada pelo desequilíbrio de múltiplas espécies cariogênicas desencadeadas pelo consumo de carboidratos fermentáveis.
Certa: expressa a concepção moderna de cárie como resultado de disbiose do biofilme, favorecida por carboidratos fermentáveis.
- D)Complexa, multifatorial, tendo os Streptococcus mutans e Lactobacillus como microrganismos etiológicos, associada ao consumo de carboidratos fermentáveis.
Errada: apesar de Streptococcus mutans e Lactobacillus estarem associados ao processo, eles nao sao os unicos agentes etiológicos nem explicam sozinhos a doença.
Gabarito: C
A cárie dentária, hoje, nao eh mais vista como uma simples doença causada por um unico microrganismo ou por um único fator isolado. A visão atual entende a cárie como uma doença biofilme-açúcar dependente, ou seja, ela surge quando ha desequilibrio na comunidade microbiana do biofilme dental, com predominio de microrganismos mais aciduricos e acidogenicos, favorecidos pelo consumo frequente de carboidratos fermentáveis. Isso significa que nao basta apontar um germe especifico e pronto. O problema envolve dieta, biofilme, saliva, fluor, tempo de exposição e suscetibilidade do hospedeiro. Por isso, a prevenção moderna foca em controlar o ambiente oral, reduzir a frequencia de açucar, reforçar higiene, usar fluoreto e identificar risco individual. O gabarito C acerta porque descreve exatamente essa ideia de disbiose: um desequilibrio de multiplas espécies no biofilme, desencadeado pelo consumo de carboidratos fermentáveis. Em outras palavras, o açúcar nao eh o vilao solitario de filme de terror, mas um grande facilitador do desequilibrio que leva a lesao cariosa. Essa abordagem eh a mais aceita na odontologia atual e aparece em diretrizes e materiais didaticos de cariologia contemporanea, que tratam a cárie como doença multifatorial e biofilme-açúcar dependente, e nao como infeccao simples causada por uma unica bacteria.