A periodontite bacteriana tem, em sua forma crônica, apresentação mais prevalente, geralmente demonstrando características de uma doença inflamatória de progressão lenta, mas, na presença de condições sistêmicas desfavoráveis ou fatores ambientais severos, como o tabagismo, a periodontite poderá progredir com maior rapidez. A periodontite crônica é uma doença progressiva altamente prevalente que afeta, aproximadamente, de 10,5 a 12% da população mundial. Em relação à periodontite, assinale a afirmativa correta.
- A)A prevalência da doença aumenta com a idade e de forma mais severa no sexo feminino.
Errada, porque a periodontite tende a ser mais prevalente e mais severa em homens, não no sexo feminino.
- B)A periodontite crônica pode ser considerada localizada quando menos de 40% dos dentes apresentam perda de inserção e óssea.
Errada, porque a classificação de periodontite localizada não se faz por esse critério de menos de 40% dos dentes com perda de inserção e óssea.
- C)Pacientes diabéticos com bom controle sistêmico e pacientes não diabéticos não apresentam diferenças em relação à progressão da periodontite grave.
Certa, porque diabéticos com bom controle glicêmico podem apresentar progressão semelhante à de não diabéticos, enquanto o descontrole é que piora o prognóstico.
- D)A periodontite crônica pode se desenvolver de formas diferentes nos sítios da boca, denominados sítios-especificidade; os sítios interproximais são menos propensos à destruição periodontal devido a maior espessura da crista óssea nesta região.
Errada, porque os sítios interproximais costumam ser mais vulneráveis à doença periodontal, não menos, e a justificativa dada está inadequada.
Gabarito: C
A periodontite crônica é aquela doença traiçoeira que costuma avançar devagar, com destruição dos tecidos de suporte do dente ao longo do tempo. Ela é muito comum e pode ficar mais agressiva quando existem fatores que “apimentam” o quadro, como tabagismo, higiene ruim e diabetes descompensado. No caso da diabetes, o ponto mais importante é este: quando o paciente está com bom controle sistêmico, a evolução da periodontite pode se aproximar da observada em não diabéticos. Já quando o diabetes está mal controlado, aí sim o risco de maior gravidade e progressão aumenta bastante. Por isso, a alternativa C acerta ao dizer que, em diabéticos bem controlados e em não diabéticos, não se observam diferenças relevantes na progressão da periodontite grave. Isso é coerente com a doutrina periodontal clássica: o estado sistêmico interfere na resposta inflamatória e na cicatrização, mas o mau controle glicêmico é o grande vilão. Em resumo, não é o diagnóstico de diabetes por si só que condena o paciente, e sim o controle ruim da doença. As demais alternativas trazem generalizações erradas sobre prevalência, classificação e padrão de destruição periodontal. Em prova, a banca gosta de misturar conceitos de epidemiologia com detalhes clínicos, então vale ler com calma e desconfiar de frases absolutas.