Diante da filosofia da mínima intervenção, os tratamentos devem ser priorizados para preservar o máximo de estrutura dentária. Na remoção seletiva do tecido cariado em dentes decíduos, deve-se considerar que
- A)a dor espontânea é um sinal clínico que não precisa ser considerado na eleição da técnica.
Errada, porque dor espontânea é um sinal de possível comprometimento pulpar e deve, sim, influenciar a escolha da técnica.
- B)a lesão cariosa presente no ângulo cavo superficial deve ser totalmente removida para melhor adesão da restauração.
Certa, porque a região cavo-superficial/periférica deve ser totalmente removida para favorecer adesão e selamento da restauração.
- C)deve ser realizado o tratamento expectante em duas sessões clínicas com períodos distintos para evitar a exposição pulpar.
Errada, porque o tratamento em duas sessões é uma conduta específica de casos profundos e não uma regra geral da remoção seletiva.
- D)a remoção total do tecido cariado deve ser feita nas paredes circundantes e pulpar para o melhor desempenho clínico da restauração.
Errada, porque a remoção total na parede pulpar aumenta o risco de exposição da polpa e contraria a mínima intervenção.
Gabarito: B
Na filosofia da mínima intervenção, a ideia não é "raspar tudo", e sim remover só o que precisa para controlar a doença e manter o máximo de estrutura dental. Em dentes decíduos, isso é ainda mais importante, porque a câmara pulpar costuma ser maior e o risco de exposição é maior. Então, a técnica de remoção seletiva do tecido cariado busca equilibrar segurança biológica e boa restauração. Em lesões mais profundas, costuma-se remover completamente a cárie das paredes laterais e da região de esmalte/dentina mais periférica, para garantir um bom selamento e adesão da restauração. Já na parede pulpar, a remoção tende a ser mais conservadora, preservando dentina mais afetada, mas passível de remineralização, para evitar abrir a polpa. Por isso, o item B está correto: a lesão cariosa no ângulo cavo superficial deve ser totalmente removida. Essa região precisa ficar limpa e bem definida para que o material restaurador tenha bom selamento e a margem não fique contaminada por tecido cariado, o que comprometeria a longevidade do tratamento. Em resumo: periferia limpa, fundo mais cauteloso. É o clássico da cariologia moderna - tratar a doença sem exagerar na broca.