A Organização Mundial de Saúde (OMS) tem ressaltado que práticas de alimentação saudável apresentam papel fundamental na saúde infantil, estendendo-se para a vida adulta. O reconhecimento de controle do açúcar é uma abordagem não invasiva para o manejo de doenças crônicas não transmissíveis, incluindo cárie; diabetes; e, obesidade. Diante da relação carboidrato fermentável (açúcar) e doença cárie, assinale a afirmativa correta.
- A)O açúcar de adição atua no processo de remineralização do esmalte dentário.
Errada, porque o açúcar de adição favorece desmineralização e não atua na remineralização do esmalte.
- B)Os carboidratos fermentáveis aumentam o pH salivar e contribuem para o processo de remineralização do esmalte dentário.
Errada, pois os carboidratos fermentáveis tendem a reduzir, e não aumentar, o pH salivar, prejudicando a remineralização.
- C)A frequência do consumo de carboidratos fermentáveis, entre as refeições, não é capaz de expor o esmalte dentário aos ciclos de desmineralização.
Errada, porque a frequência de consumo entre refeições aumenta a exposição do esmalte aos ciclos de desmineralização.
- D)A exposição aos açúcares na dieta resulta em fermentação de ácidos e seleção das bactérias acidogências e acidúricas no biofilme da cavidade bucal.
Certa, porque os açúcares são fermentados no biofilme, gerando ácidos e selecionando bactérias acidogênicas e acidúricas.
Gabarito: D
A relação entre açúcar e cárie é bem direta: quanto mais carboidrato fermentável entra em contato com o biofilme dental, maior a chance de queda do pH local e de desmineralização do esmalte. Em outras palavras, não é o açúcar em si que “vira cárie” sozinho, mas ele alimenta bactérias do biofilme que produzem ácidos capazes de atacar o dente. Se esse ataque acontece com frequência, o esmalte passa mais tempo perdendo minerais do que recuperando-os. A saliva tenta compensar esse processo, ajudando na neutralização dos ácidos e na remineralização, mas ela não faz milagre quando a exposição ao açúcar é repetida ao longo do dia. Por isso, o padrão de consumo pesa muito: beliscar doces entre as refeições costuma ser pior do que consumir em um momento isolado. A lógica é simples e bem cobrada em prova: mais frequência, mais queda de pH, mais risco de cárie. O item D está correto porque a exposição aos açúcares favorece a fermentação bacteriana com produção de ácidos e seleciona microrganismos acidogênicos e acidúricos no biofilme. Isso cria um ambiente mais favorável à doença cárie. Esse entendimento está alinhado ao modelo clássico da cárie como doença biofilme-dieta dependente, amplamente aceito na doutrina de saúde bucal coletiva e pela OMS quando relaciona controle de açúcar e prevenção de doenças crônicas. Em prova, pense assim: açúcar frequente + biofilme ativo + queda de pH = cenário ideal para cárie. Se a alternativa disser que o açúcar ajuda na remineralização ou que não interfere na desmineralização, desconfie na hora.